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segunda-feira, 16 março, 2026
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CPMI do INSS endurece regras após vazamentos

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Por Cleber Lourenço e Heloisa Villela

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a adotar um protocolo rígido de segurança para acesso a documentos e dados considerados sensíveis. A decisão ocorre após críticas e acusações de que informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro teriam vazado a partir da própria comissão.

Nos bastidores da CPMI, parlamentares passaram a questionar a circulação de conteúdos obtidos a partir do aparelho do banqueiro. Entre os dados mencionados estão conversas privadas, incluindo trocas de mensagens com a namorada do empresário. O episódio gerou pressão interna para que o colegiado adotasse mecanismos mais rigorosos de controle sobre os materiais que chegam à investigação.

A mudança de procedimento passou a valer justamente no momento em que a comissão recebeu informações envolvendo o empresário Fabiano Zetel, ex-pastor ligado à Igreja Batista da Lagoinha. Zetel aparece como um dos principais doadores das campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo nas eleições de 2022.

Diante desse novo conjunto de documentos, a CPMI decidiu centralizar o acesso aos materiais em uma sala de segurança instalada nas dependências da comissão. O espaço passou a funcionar como uma espécie de “sala-cofre”, destinada à consulta de informações classificadas como sensíveis.

O novo protocolo estabelece uma série de restrições para o acesso aos documentos. Parlamentares têm prioridade para entrar no local, enquanto assessores passam a ter acesso limitado. O número de pessoas autorizadas a consultar os materiais também foi reduzido.

Além disso, os documentos não podem ser retirados da sala em nenhuma hipótese. Todo o material deve ser analisado exclusivamente dentro do espaço controlado.

O regulamento interno também proibiu a entrada de notebooks, celulares ou qualquer equipamento eletrônico no ambiente. Fotografias, cópias ou qualquer forma de reprodução dos documentos também estão vetadas.

Na prática, parlamentares e assessores autorizados precisam consultar as informações diretamente no local, sem possibilidade de registrar ou transportar os dados para fora da comissão.

Nos bastidores do Congresso, o endurecimento das regras passou a ser observado com atenção por integrantes da própria CPMI. Parlamentares apontam que a mudança ocorreu exatamente no momento em que chegaram informações envolvendo Fabiano Zetel.

Outro elemento que chama atenção é a ligação do empresário com a Igreja Batista da Lagoinha, mesma denominação religiosa frequentada pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Base governista reclama de tratamento desigual

Mesmo com a adoção das novas regras de segurança, parlamentares da base governista afirmam que o protocolo não estaria sendo aplicado de forma igual a todos os integrantes da comissão.

Deputados relatam episódios em que parlamentares da oposição teriam conseguido flexibilizar o acesso à sala-cofre, inclusive permitindo a entrada de assessores antes de integrantes da base.

Em conversa com a reportagem, o deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que houve tratamento diferenciado durante o acesso aos documentos. Segundo ele, alguns parlamentares da oposição chegaram a passar na frente na fila.

“O que fizeram foi dar carteirada lá e colocar um assessor para entrar junto com ele na frente dos nossos. Ele se acha melhor que os outros. Aliás, foi um juiz desse tipo, sempre leva vantagem na vida e acha que pode fazer a mesma coisa aqui”, disse o parlamentar.
A crítica se refere a um episódio ocorrido durante a consulta aos documentos na sala-cofre da comissão.

Integrantes da CPMI afirmam que as novas medidas foram adotadas com o objetivo de evitar novos vazamentos e garantir a integridade das investigações. Segundo relatos obtidos pela reportagem, o colegiado avaliou que a circulação anterior de informações sensíveis poderia comprometer a credibilidade dos trabalhos.

Com o novo sistema, qualquer análise de documentos classificados como sigilosos deverá ocorrer exclusivamente dentro da sala-cofre da comissão, sob supervisão e controle do próprio colegiado.





ICL Notícias

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