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sábado, 7 março, 2026
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Vorcaro relata em mensagens estar sendo ‘espremido’ por André Esteves em disputa pelo Master

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Por Cleber Lourenço

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele afirmava estar sob forte pressão no mercado financeiro e atribuía parte dessa pressão ao banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual. O conteúdo aparece em uma troca de mensagens com sua então namorada, Martha Graeff, registrada em 19 de novembro de 2024.

Nos diálogos, Vorcaro descreve um cenário de forte tensão envolvendo o Banco Master e afirma que enfrentava um “aperto gigante” vindo do mercado.

“Nossa, tô tomando um aperto gigante aqui de mercado. Vou ter que ir pra Lisboa amanhã e voltar quinta. Vamos ter que mudar pra sexta nossa viagem amor, infelizmente”, escreveu o banqueiro.

A interlocutora tenta tranquilizá‑lo. “Amor fica tranquilo” e “Se precisar vamos mudar os planos”, responde Martha Graeff em sequência.

Horas depois, Vorcaro volta a tratar do assunto e menciona diretamente André Esteves ao falar da pressão que estaria sofrendo.

“Esteves me deu uma espremida pra ele ficar com o banco”, escreveu.

Na sequência, ele descreve o ambiente de disputa que dizia enfrentar naquele momento.

“Tá foda. Virei alvo”, afirmou.

Mais tarde, ao retomar a conversa, resume a situação com outra frase curta: “Tô aqui na guerra”.

As mensagens indicam que Vorcaro interpretava as movimentações do mercado naquele período como parte de uma tentativa de pressioná‑lo em negociações envolvendo o controle do Banco Master.

A expressão “dar uma espremida” costuma ser usada para descrever situações em que um agente financeiro passa a sofrer pressões que podem envolver dificuldades de crédito, restrições de liquidez ou movimentos de concorrentes capazes de levar à venda de ativos ou à perda de controle de uma instituição.

O diálogo também sugere que o banqueiro enfrentava um momento crítico naquele período. Antes mesmo de mencionar Esteves, Vorcaro já descrevia um “aperto gigante” vindo do mercado e afirmava que precisaria viajar com urgência para Lisboa para tratar do tema.

Nos bastidores do mercado financeiro, a relação entre Vorcaro e André Esteves sempre foi marcada por rivalidades e disputas envolvendo ativos, liquidez e influência no sistema financeiro. As mensagens reforçam que o próprio controlador do Master enxergava a crise do banco como parte de uma ofensiva direta do dono do BTG.

O embate, porém, não ficou restrito a esse diálogo de novembro de 2024. Em outras conversas atribuídas a Vorcaro e reveladas pela imprensa, o banqueiro também sugere que Esteves tentava dissuadi-lo de alternativas para o Master e que chegou a apresentar uma proposta envolvendo o banco. Em uma dessas trocas, Vorcaro relata que ouviu de Esteves que deveria até “agradecer” pela oferta feita ao Master, num contexto em que o banco já enfrentava forte pressão de mercado.

Mesmo em meio a esse ambiente de disputa, a relação entre os dois também passou por negócios bilionários. Em maio de 2025, o BTG fechou a compra de um pacote de ativos de Daniel Vorcaro avaliado em cerca de R$ 1,5 bilhão. Entre os bens negociados estava o edifício que abriga o Hotel Fasano Itaim, em São Paulo, além de participações em empresas e outros ativos usados por Vorcaro para levantar caixa e tentar capitalizar o Master.

O episódio ajuda a dimensionar o tamanho da crise. Quando escreveu à então namorada que estava tomando um “aperto gigante” e que havia virado “alvo”, Vorcaro descrevia um ambiente que, mais tarde, acabaria se traduzindo também na venda de ativos relevantes do seu grupo. O Fasano foi o caso mais emblemático dessa virada.

O conteúdo das conversas está entre os materiais analisados por investigadores que examinam dados extraídos de aparelhos atribuídos a Vorcaro. Segundo as apurações, autoridades investigam informações presentes em diversos dispositivos apreendidos no âmbito das investigações que envolvem o Banco Master e pessoas ligadas ao seu controlador.

Os aparelhos fazem parte do conjunto de provas analisadas nas investigações que apuram a atuação do grupo financeiro ligado ao banco e que foram enviados para a CPMI do INSS.





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