O Brasil deixou de figurar entre as dez maiores economias do mundo em 2025, apesar de registrar crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país passou da décima para a 11ª posição no ranking elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), conforme projeções já indicadas desde outubro passado.
A mudança ocorreu após a Rússia assumir a nona colocação, ultrapassando Canadá e Brasil. O movimento não reflete apenas desempenho econômico real, mas sobretudo variações cambiais.
O ranking considera o PIB convertido em dólares. Assim, além do crescimento interno, a posição depende da taxa de câmbio entre a moeda local e a divisa estadunidense.
Efeito do câmbio e o avanço russo
O principal fator por trás da ascensão russa foi a valorização do rublo em 2025. Com a moeda mais forte frente ao dólar, o PIB da Rússia ganhou impulso adicional na conversão para a moeda norte-americana.
O cenário internacional também contribuiu. Em meio à guerra comercial liderada pelos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump, o dólar apresentou tendência de enfraquecimento frente a diversas moedas — inclusive o real.
Caso essa tendência se mantenha, a atualização das projeções do FMI pode elevar o valor do PIB brasileiro em dólares. Ainda assim, isso não garante recuperação de posições no ranking, já que o movimento cambial tende a afetar várias economias simultaneamente.
Para 2026, a expectativa atual é de manutenção do Brasil na 11ª colocação.
A ascensão da Índia e as mudanças no topo
A principal alteração prevista no cenário global é o avanço da Índia, cujo PIB em dólares deve superar o do Japão, tornando-se a quarta maior economia do mundo.
O crescimento indiano tem sido consistente nos últimos anos, impulsionado por demografia favorável, expansão do consumo interno e investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Enquanto isso, Brasil, Itália e Canadá seguem alternando posições logo abaixo do grupo das dez maiores economias.
PIB per capita: outra medida de riqueza
Embora o tamanho do PIB coloque o Brasil entre as maiores economias globais, o indicador não reflete necessariamente o nível de riqueza da população. Países populosos tendem a apresentar PIB elevado pelo simples fato de reunirem mais trabalhadores e consumidores.
Por isso, economistas utilizam o PIB per capita como métrica mais precisa para avaliar riqueza média. Nesse critério, o Brasil ocupa posição modesta.
O ranking é liderado pelo Liechtenstein, com PIB per capita de US$ 231.713, seguido por Luxemburgo, com US$ 146.818. Já os Estados Unidos, embora tenham o maior PIB do mundo, aparecem apenas na oitava colocação quando o indicador é ajustado pela população.
Brasil em posição intermediária
Segundo o FMI, o Brasil registrou PIB per capita de US$ 10.578 em 2025. O país aparece próximo de Turcomenistão e Macedônia do Norte.
Na América Latina, o desempenho brasileiro fica abaixo de Argentina e México, mas acima de Peru e Colômbia.
Os dados também revelam os limites do crescimento acelerado de China e Índia. Apesar de figurarem entre as maiores economias do planeta, ambas ainda apresentam renda média distante dos países mais ricos. O PIB per capita chinês foi de US$ 13.806 em 2025, enquanto o indiano alcançou US$ 2.818.
Juros elevados e desaceleração interna
Internamente, o ritmo de crescimento perdeu força. O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024 — o resultado mais fraco em cinco anos.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avaliou que a política monetária contracionista teve impacto relevante sobre a atividade econômica.
A taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. O instrumento é utilizado pelo Banco Central para conter a inflação e perseguir a meta de 3% estabelecida para 2026.
Segundo o governo, a economia só não apresentou desempenho mais fraco no segundo semestre devido à contribuição da agropecuária, da indústria extrativa e do setor externo.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a Secretaria de Política Econômica mantém projeção de crescimento de 2,3%, enquanto o mercado financeiro estima expansão menor, de 1,8%.
A expectativa oficial é de desaceleração da agropecuária, compensada por melhora gradual na indústria e nos serviços. Pelo lado da demanda, o governo prevê maior contribuição do consumo interno, beneficiado por medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O cenário, no entanto, dependerá da trajetória dos juros e do ambiente internacional. Se confirmada a queda da Selic ao longo do ano, o crédito pode se tornar mais acessível, sustentando a atividade econômica.
No curto prazo, o Brasil mantém relevância no cenário global pelo tamanho de sua economia. No entanto, os dados de renda média revelam que o desafio central permanece: transformar crescimento agregado em prosperidade distribuída.



