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sábado, 28 fevereiro, 2026
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IA e a ilusão da eficiência

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Um estudo de oito meses conduzido por pesquisadores e publicado na Harvard Business Review acompanhou cerca de 200 funcionários de uma empresa de tecnologia nos EUA e descobriu que, ao contrário do que as empresas de big tech propagam, o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa não reduz o volume de trabalho. Pelo contrário, amplia o escopo de tarefas a serem realizadas e com isso estende o trabalho para mais horas do dia.

A pesquisa identificou três efeitos principais. Primeiro, a expansão de tarefas, com profissionais fazendo atividades que antes eram de outras áreas. Segundo, são os limites borrados entre trabalho e descanso, já que começar uma tarefa ficou mais fácil, o trabalho invade o horário de almoço, de reuniões e o fim do dia. E terceiro, com a capacidade de realizar multitarefas, trabalhadores tocam várias frentes em paralelo, o que eleva a carga cognitiva e pressão por entregas rápidas.

E o cansaço que isso causa tem uma explicação simples. Antes, você usava 20% do tempo na parte difícil do trabalho, que é pensar estratégia, organizar, criar o conceito, e 80% executando o que foi planejado. A IA é boa justamente nesses 80%, montar apresentação, redigir relatório, estruturar planilha. O problema é que esse tempo não virou folga. Virou mais trabalho. Como a IA resolve os 80%, você agora passa 100% do tempo fazendo a parte pesada, criando mais estratégias, mais conceitos, mais demandas para a máquina executar. O resultado é exaustão.

Um outro estudo do Center for AI Safety e da Scale AI testou 240 trabalhos reais de freelance, como design, programação, edição de vídeo, arquitetura e identificou que modelos de IA falharam em 96,25% das tarefas quando comparados diretamente a humanos. Arquivos corrompidos, trabalhos incompletos, baixa qualidade, inconsistências técnicas são comuns nas entregas feitas por IA. Embora a Inteligência Artificial tenha mostrado bom desempenho em redação básica, geração de imagens e código simples, o estudo sugere que ainda está longe de substituir trabalhadores em funções gerais. Haveria então um exagero na valorização econômica da IA.

A revista Cureus publicou outro estudo que propôs o termo Disfunção de Substituição por IA para descrever o sofrimento psicológico de trabalhadores que temem ser substituídos. Embora haja pouca evidência de demissões em massa causadas diretamente por automação, essa narrativa constante provoca ansiedade, insônia, depressão e crises de identidade profissional. Mesmo sem um diagnóstico clínico formal dessa disfunção, os autores sugerem terapia como forma de restaurar resiliência e senso de propósito (e de tratar o sintoma em vez da causa).

A promessa de trabalhar menos, vai se tornando uma realidade de trabalhar mais. A eficiência virou sobrecarga disfarçada. Se a IA dmultiplica demandas, talvez o problema não seja tecnológico e sim organizacional. Precisamos rever expectativas, não simplesmente adotar ferramentas com propostas mágicas.

Caso contrário, a automação só vai acelerar nosso esgotamento.





ICL Notícias

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