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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Quem é João Mansur e como a Reag se conectava ao Master

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O empresário João Carlos Mansur é fundador e ex-CEO da Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do país e que teve sua liquidação anunciada nesta quinta-feira (15) pelo Banco Central. A gestora foi fundada em 2012 e teve, até hoje, forte atuação na administração de fundos exclusivos.

Mansur permaneceu como presidente do conselho de administração da Reag até outubro de 2025, mesmo após a empresa se tornar alvo de investigações criminais e administrativas.

Com trânsito em diferentes setores, Mansur é conselheiro do Palmeiras, cofundador da Revee, empresa dedicada à gestão de espaços para eventos, e fundador da Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros), onde presidiu o conselho de administração entre março e setembro de 2025.

No mercado financeiro, sua trajetória sempre chamou atenção pelo crescimento acelerado da Reag, impulsionado pela aquisição de outras gestoras e pela incorporação de mandatos de fundos exclusivos — veículos usados por famílias de alta renda, com apenas um cotista.

Para quem está por dentro do mercado financeiro, o avanço rápido destoava do ritmo tradicional do setor, onde a construção de credibilidade costuma levar anos.

Investigações contra Mansur e a Reag

A decisão do Banco Central de liquidar a gestora já era considerada praticamente inevitável por agentes do mercado financeiro após o avanço das investigações.

Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão em diferentes ocasiões. Em 2025, foi investigado na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao setor de combustíveis e a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). As buscas ocorreram em seu escritório, na região da Faria Lima, e em sua residência.

Mais recentemente, na quarta-feira (14), o empresário voltou a ser alvo de diligências na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A Reag e empresas ligadas ao grupo também já haviam sido citadas em uma megaoperação do Ministério Público de São Paulo contra fraudes bilionárias no setor de combustíveis, envolvendo o crime organizado.

O que levou o Banco Central a liquidar a Reag

Segundo informações enviadas pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), fundos administrados pela Reag Trust estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024.

De acordo com o relatório, as operações apresentavam falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez, além de estarem em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional. O Banco Central afirmou que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades.

Em nota, a autoridade monetária informou que o resultado das apurações pode levar à aplicação de sanções administrativas e ao encaminhamento de informações a outras autoridades. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição tornaram-se indisponíveis com a decretação da liquidação extrajudicial.

As conexões entre a Reag e o Banco Master

O Banco Master mantinha vínculos financeiros com a Reag Investimentos e com a Trustee DTVM, ambas citadas em investigações da Operação Carbono Oculto. Em comunicado divulgado ao mercado em setembro de 2025, a Reag informou que o fundo Hans 95 negociou CDBs emitidos pelo Banco Master.

À época da deflagração da operação, o Banco Master afirmou que a Reag atuava apenas como prestadora de serviços, restrita à gestão e administração de fundos, sem qualquer participação em sua estrutura societária ou decisões internas.

“O Banco Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag”, informou a instituição, acrescentando que não exercia influência sobre a gestão da empresa.

No centro financeiro de São Paulo, a liquidação da Reag foi recebida como um desfecho esperado diante das investigações envolvendo fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Para executivos do mercado financeiro, o caso expôs fragilidades no sistema de fiscalização do mercado de capitais brasileiro.

A atuação da Reag já era vista como temerária, com potencial de minar a confiança de investidores em um mercado que é o maior da América Latina.



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