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Nelson Tanure voltou ao centro do noticiário nesta quarta-feira (14) após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação mira um suposto esquema de concessão de créditos fictícios e operações financeiras fraudulentas envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Bueno Vorcaro.
Tanure é um dos nomes mais conhecidos do mercado financeiro brasileiro quando o assunto é a aquisição de empresas em dificuldades financeiras. Ao longo de décadas, construiu sua fortuna apostando em ativos depreciados, assumindo posições estratégicas e conduzindo processos de reestruturação que, em alguns casos, resultaram em ganhos expressivos.
Além de Tanure, a operação também teve como alvos Daniel Vorcaro, familiares do banqueiro e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur. A Reag administra fundos que, segundo os investigadores, teriam sido usados dentro da estrutura financeira sob suspeita.
Ao todo, a PF cumpre 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que também autorizou o bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
De acordo com a Polícia Federal, os crimes investigados incluem organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. A apuração se baseia, em parte, em informações fornecidas pelo Banco Central e aponta para o uso de uma complexa cadeia de fundos de investimento para a realização de operações consideradas irregulares. Nesse contexto, os investigadores avaliam que Tanure também teria se beneficiado da mesma estrutura financeira.
Um histórico de apostas em empresas em crise
Natural da Bahia, Nelson Tanure iniciou sua trajetória empresarial ainda na década de 1980. Seu primeiro grande negócio foi a aquisição da Sequip, empresa de serviços de engenharia voltada ao setor de petróleo. Na sequência, entrou no setor naval ao comprar o estaleiro Verolme, então em concordata, consolidando sua reputação como investidor disposto a assumir riscos elevados.
Nos anos 2000, diversificou seus investimentos e passou a atuar no setor de comunicação, ao adquirir o tradicional Jornal do Brasil e arrendar a Gazeta Mercantil, dois ícones da imprensa brasileira que atravessavam grave crise financeira.
Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira ocorreu no setor de telecomunicações. Tanure comprou a operadora Intelig por cerca de R$ 10 milhões e, anos depois, vendeu o ativo para a TIM por aproximadamente R$ 650 milhões — operação frequentemente citada como exemplo de sua estratégia de comprar barato e vender após reestruturação.
Em 2016, voltou a chamar atenção ao ingressar na Oi, durante um dos maiores processos de recuperação judicial da história do país. À época, a empresa acumulava dívidas de R$ 64,5 bilhões. A aposta reforçou a imagem de Tanure como um investidor arrojado, especializado em cenários de alta complexidade financeira.
Investigações e controvérsias recentes
No fim do ano passado, Tanure já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo sob acusação de uso de informação privilegiada em operações envolvendo ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência. O empresário nega irregularidades. A defesa pediu que o caso fosse remetido ao STF, alegando conexão com investigações que envolvem instituições ligadas ao Banco Master.
Segundo os advogados de Tanure, os fatos investigados abrangem não apenas pessoas físicas, mas também empresas e instituições financeiras do conglomerado do Master, incluindo corretoras e gestoras de fundos.
Com uma trajetória marcada por operações ousadas e alto grau de exposição, Nelson Tanure volta a ser observado de perto pelo mercado — agora, não apenas como um investidor especializado em ativos problemáticos, mas como personagem central em investigações que envolvem o sistema financeiro nacional.
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