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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Venezuela começa a libertar presos políticos após intervenção militar dos EUA

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O governo interino da Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número ainda não especificado de presos políticos, em uma iniciativa classificada como um “gesto unilateral de paz”. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que afirmou que as solturas começaram imediatamente e incluem cidadãos venezuelanos e estrangeiros.

Entre os nomes citados está o da ativista Rocío San Miguel, especialista em temas militares e diretora da ONG Controle Cidadão. Presa em 2024 ao tentar deixar o país, ela havia sido acusada de “traição à pátria, terrorismo e conspiração” e era considerada uma das presas políticas mais emblemáticas do governo de Nicolás Maduro.

As libertações ocorrem após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York e respondem a processos judiciais, inclusive por acusações de narcotráfico. Com a remoção de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do país.

Segundo Jorge Rodríguez, a decisão não envolveu negociação com adversários ou governos estrangeiros. Ainda assim, ele agradeceu publicamente a atuação do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do governo do Catar, que teriam atendido a um pedido da presidente interina. O grau de participação desses atores, porém, não foi detalhado.

O anúncio ocorre um dia após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmar que Washington estruturou um plano em três etapas para a Venezuela: estabilização do país, libertação de opositores e reconstrução da sociedade civil, seguida de uma transição política. Apesar disso, o presidente americano, Donald Trump, disse ao New York Times que os Estados Unidos devem permanecer como tutores políticos da Venezuela por “muito mais tempo”.

Fontes diplomáticas informaram ao jornal El País que ao menos cinco cidadãos espanhóis estão entre os libertados. Outros 14 detentos com dupla nacionalidade hispano-venezuelana ainda têm situação indefinida. O chanceler espanhol, José Manuel Albares, afirmou que acompanha o caso com cautela e classificou as possíveis libertações como “um passo positivo”.

Segundo a ONG Foro Penal, a Venezuela mantém atualmente 806 presos políticos, entre eles 175 militares. Em 2024, o país registrou o maior número de detenções por motivos políticos em 25 anos, após as eleições contestadas de julho. Desde então, mais de 2 mil pessoas foram libertadas, de acordo com dados oficiais.

Apesar do anúncio, organizações de direitos humanos e a imprensa internacional relatam aumento da repressão desde a intervenção militar dos EUA, com detenções, postos de controle, revistas a celulares e perseguição a jornalistas, sob um decreto de estado de emergência em vigor.



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