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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Trump exige 50 milhões de barris da Venezuela, abala China e quer reservas

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A diplomacia das canhoneiras é a lei hoje no Caribe. O presidente Donald Trump anunciou que o novo governo venezuelano aceitou entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, numa manobra que ameaça o abastecimento que estava sendo direcionado para a China.

O governo americano ainda colocou dois dos principais protagonistas do chavismo em alerta: o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro das Defesa, Vladimir Padrino. Se aceitarem colaborar com a Casa Branca e garantir acesso às reservas de petróleo, serão tolerados em seus postos de comando. Caso contrário, correm o risco de ter o mesmo destino que Maduro.

Na noite de terça-feira, Trump colocou nas redes sociais o anúncio da entrega dos barris, avaliados em mais de US$ 2,5 bilhões.

“Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade” aos EUA, escreveu Trump em suas redes sociais.

O petróleo será vendido a preço de mercado, disse o republicano, acrescentando que o dinheiro será controlado por ele e usado para beneficiar as populações da Venezuela e dos EUA. Ele, porém, não explicou como isso seria feito.

O preço do barril caiu em mais de 2% nos EUA depois do anúncio de Trump. Hoje, a Venezuela tem reservas que representam sete vezes o volume do petróleo nos EUA, ainda que qualidade diferente.

Ainda que represente menos de 3 dias do consumo de combustível dos EUA, o volume é apenas o primeiro pagamento exigido pelos americanos e representaria entre 30 e 50 dias da produção venezuelana.

Agências internacionais indicaram que o pacto, para existir, teria de desviar recursos que estavam sendo destinados para a China.

Desde a adoção de sanções mais duras contra a Venezuela, em 2020, o governo de Pequim passou a garantir as compras de petróleo de Caracas. Cerca de 470 mil barris por dia são transportados para os portos chineses.

A relação entre os chineses e venezuelanos ainda tem uma década, com investimentos avaliados em US$ 2,1 bilhões no setor de energia.

A produção de petróleo da Venezuela caiu de cerca de 3,5 milhões de barris por dia, no auge nos anos 90, para apenas 1,1 milhão no ano passado.

Sem reservas para nossos adversários

O anúncio de Trump ocorreu horas depois de a diplomacia dos EUA ter afirmado, em uma reunião da Organização dos Estados Americanos, que Washington não aceitava que o volume de recursos naturais pudesse estar à disposição de “nossos adversários”.

Trump ainda insistiu, nos últimos dias, que a Venezuela terá de pagar pelo que “roubou” dos EUA nos últimos anos. Trata-se de uma referência à decisão, em 2007, do então presidente Hugo Chávez de colocar controles sobre a exploração de petróleo por estrangeiros.

Em 2019, um tribunal do Banco Mundial ordenou que a Venezuela pagasse US$ 8,7 bilhões em indenização à ConocoPhillips, algo que Caracas jamais aceitou fazer.



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