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De repente… é Natal, como berrava aquela manchete flagrada por Zuenir Ventura em um jornal de Friburgo. A manchete, anunciando a inesperada data cristã, entrou para o folclore do jornalismo brasileiro.
De repente, epa, é Natal e você ainda não fez as pazes com aquele tio picareta que vai te perguntar de novo, como em looping eterno, “e o Lula, hein?”
O tio que congelou no tempo e ainda comenta sobre a “mamadeira de piroca” — fake news raiz da safra 2018. Esse não tem jeito.
Não vale a pena nem provocá-lo sobre a prisão do “mito” ou a solda na tornozeleira. Relaxa.
Tampouco a gente precisa lembrar que o líder bolsonarista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) teve R$ 430 mil apreendidos em dinheiro vivo durante a Operação Galho Fraco. Esquece.
Óbvio que o tiozão irá rebatê-lo com a Ferrari de ouro do Lulinha. Sim, aquele mesmo filho do presidente que comprou a JBS e ainda empregou os irmãos Joesley e Wesley Batista como gerentes do açougue — só pra humilhar esses burgueses. Risos e mais risos.
Como advirto desde a disputa Haddad x Bolsonaro, quando a treta natalina ganhou ares de telecatch: sem debate político em família.
Por peru natalino sem partido. É só uma noite. Segura a onda, colega.
Juro que a frase mais ideológica que pronunciarei será “passa a farofa, tia Gorete”.
Não, não cairei na tentação de criticar sequer a uva passa, essa unanimidade nacional às avessas.
Deixemos o peru alheio à guerra cultural, livre de crocâncias marxistas ou molhos fascistóides.
A noite feliz pede paz entre homens e mulheres de boa vontade. Pai, afasta de mim essa treta. Acho que conseguiremos. Faço figa.
Cuidado também com os presentes. Um livro, mesmo com as melhores intenções culturais, pode provocar um sururu na área. Até “O Pequeno Príncipe”, messiê Antoine de Saint-Exupéry, pode ser acusado de agente cultural globalista, afinal de contas, lá para as tantas, o fofo prega contra as fronteiras do planeta.
Segure as pontas. Nada de mimos que possam ter uma leitura enviesada. Pela volta dos agrados mais neutros possíveis: um impessoal vale-presente para a tia religiosa, caixas de sabonete, fragrâncias, brincos, colares, gravatas, meias, lenços…
Fogo brando, amigo, nada de tostar o peru no forno da polarização, entende? Afinal de contas o pobre peru não é de direita, de centro ou de esquerda. O peru é como o proletariado, se lasca de véspera, fatiado ou inteiro.
Boas festas. Sem essa de antecipar a contenda eleitoral do próximo ano. Teremos fartas refeições para renovar as inevitáveis intrigas familiares.
É hora (apenas) de rir de tudo isso.
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ICL Notícias



