Obras inacabadas Amazonas revelam rombo bilionário
As obras inacabadas no Amazonas deixadas pela gestão Wilson Lima expõem uma herança incômoda. Segundo relatório oficial da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), publicado em 29 de novembro de 2025, mais de R$ 1,3 bilhão foi aplicado em projetos que nunca chegaram ao fim. O documento está disponível no Portal da Transparência e reúne 86 contratos sem entrega final.
O levantamento detalha um padrão recorrente. Em vez de inaugurações, o estado acumulou paralisações, distratos e prazos vencidos. Assim, o discurso repetido desde 2019, de que o governo executava o “maior pacote de obras da história”, perde sustentação diante dos dados oficiais.
O retrato das obras inacabadas Amazonas
Dos 86 contratos analisados pela Seinfra, apenas uma minoria segue ativa. Ao todo, 14 obras estão paralisadas. Além disso, 42 contratos foram rescindidos ou distratados. Outros 26 expiraram por decurso de prazo, sem conclusão. Portanto, a maioria dos projetos não avançou além do papel ou de etapas iniciais.
Esse cenário atravessa todo o Amazonas. Rodovias estratégicas, hospitais regionais, pavimentações urbanas e sistemas de abastecimento aparecem na lista. Para moradores do interior, as promessas oficiais ficaram restritas a anúncios e placas de obra.
Contratos milionários abandonados
Entre os projetos mais caros, a reforma da AM-010 lidera a lista. O contrato, de R$ 382,8 milhões, foi rescindido e virou símbolo do fracasso da gestão. Da mesma forma, o Hospital Regional de Manacapuru soma dois contratos problemáticos, um encerrado e outro paralisado, que juntos ultrapassam R$ 150 milhões.
Além disso, obras viárias em Envira, Novo Remanso, Fonte Boa, Lábrea e Apuí aparecem repetidamente no relatório. Em muitos casos, empresas reincidem em contratos distratados. Assim, o problema deixa de ser pontual e passa a revelar um modelo de execução falho.
Interior abandonado e promessas vazias
Enquanto isso, cidades isoladas continuam sem infraestrutura básica. Pavimentações prometidas nunca avançaram. Hospitais regionais seguem fechados. Estradas permanecem em condições precárias. Portanto, o impacto atinge diretamente serviços essenciais e o desenvolvimento local.
A propaganda oficial insistiu na narrativa de grandes investimentos. Contudo, o relatório da Seinfra mostra o oposto. Pontes inacabadas, orlas esquecidas e bairros inteiros aguardam obras que não chegaram ao fim.
Um padrão que atravessa a gestão
De 2019 a 2025, a gestão Wilson Lima acumulou interrupções em série. O problema não se limita a um setor específico. Ele envolve saúde, mobilidade, logística e infraestrutura urbana. Além disso, a repetição de empresas em contratos problemáticos reforça as dúvidas sobre fiscalização e planejamento.
Assim, o legado que emerge não é o de transformação prometida. É o de recursos públicos desperdiçados e de municípios que seguem dependentes de obras que nunca foram entregues.



