28.3 C
Manaus
terça-feira, 10 fevereiro, 2026
InícioBrasilCentrão reage e isola família Bolsonaro após aposta em Flávio para 2026

Centrão reage e isola família Bolsonaro após aposta em Flávio para 2026

Date:

[ad_1]

Por Cleber Lourenço

O anúncio de Flávio Bolsonaro como aposta da família para a eleição de 2026 acendeu um alerta imediato no centrão. Nas últimas 72 horas, dirigentes do bloco relatam que o gesto foi visto como improvisado, unilateral e incapaz de reorganizar o campo da direita. A percepção predominante é de que a família Bolsonaro tentou forçar uma adesão automática — e não conseguiu.

Segundo membros da articulação política do Palácio do Planalto que acompanham as reações do centro-direita, a informação que realmente mudou o tabuleiro foi outra: Jair Bolsonaro não será candidato. Esse temor travava parte das articulações internas, e sua dissipação abriu espaço para movimentos mais firmes dos partidos que antes orbitavam o ex-presidente. Mas a tentativa de transferir esse protagonismo para Flávio não encontrou receptividade.

Para dirigentes do centrão, a lealdade construída nos últimos anos é com Jair Bolsonaro, não com seu filho. O diagnóstico é de que Flávio não reúne densidade eleitoral, não empolga o eleitorado bolsonarista tradicional e tampouco atrai o eleitor moderado. A declaração do senador de que poderia desistir da disputa em troca de anistia foi classificada, nos bastidores, como demonstração de fragilidade.

‘Tudo ou nada’

Parlamentares que acompanham de perto as conversas entre PP, União Brasil, Republicanos e PSD afirmam que o movimento da família Bolsonaro foi interpretado como um “tudo ou nada”. Na leitura desses partidos, trata-se de um gesto motivado mais por desespero do que por estratégia, e que não unifica o campo. Um dirigente sintetizou a sensação: “Flávio não soma nada ao projeto, só divide”.

As declarações de Ciro Nogueira nesta segunda-feira (8) reforçaram a avaliação. Em Curitiba, o senador afirmou que a escolha do candidato da direita não será “decisão só do PL” e que política se faz com viabilidade, pesquisa e diálogo entre aliados. Disse ainda que pretende ouvir Flávio para entender o anúncio repentino — comentário interpretado como crítica à falta de articulação prévia.

Já no sábado, Antonio Rueda, presidente do União Brasil e co-presidente da federação com o PP, divulgou nota defendendo que 2026 não será decidida pela polarização, mas pela capacidade de construção política. Sem citar Flávio, Rueda reafirmou que o partido não seguirá movimentos personalistas nem repetirá a lógica de confronto que marcou os últimos anos.

Caminho próprio

Nos bastidores, as falas de Ciro e Rueda são vistas como a primeira sinalização coordenada de que o centrão está disposto a seguir um caminho próprio, ainda que isso implique abandonar o PL. Dirigentes afirmam que o anúncio de Flávio acelerou discussões internas e abriu espaço para alternativas consideradas mais competitivas, como Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior.

Relatos de aliados indicam que o gesto da família Bolsonaro expôs fissuras dentro do próprio bolsonarismo. A base recebeu o anúncio com desconfiança, e o movimento não mobilizou o eleitorado como o PL esperava. Para partidos do centrão, isso reforça a leitura de que o plano não nasceu forte o suficiente para liderar o campo da direita.

A avaliação hoje é que insistir em Flávio dividiria o campo e ampliaria as chances de reeleição do presidente Lula. Por isso, dirigentes defendem um processo de escolha mais estruturado, baseado em critérios e consultas internas — e não em decisões unilaterais. Com o bloco pressionado a definir um nome até o início de 2026, cresce a convicção de que a disputa não será definida por hereditariedade política, mas pela viabilidade de quem conseguir unificar centro e direita em torno de um projeto sólido.



[ad_2]

ICL Notícias

spot_img
spot_img