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Por Cleber Lourenço
Interlocutores que acompanham de perto a articulação para a sabatina de Jorge Messias no Senado afirmam que o chefe da Advocacia-Geral da União já conta com os 41 votos necessários para ser aprovado no plenário. Segundo esses membros da articulação, o problema não está mais na matemática, mas no relógio: a maior preocupação é manter esse apoio até o dia da votação, em meio à pressão direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O receio é explícito nas conversas reservadas. Para esses aliados, há votos consolidados, mas não imunes a desgaste. Eles afirmam que Alcolumbre intensificou as investidas nas últimas semanas e tem pressionado senadores a recuar, ampliando a margem de incerteza sobre o tamanho real do apoio a Messias na hora do voto.
A avaliação interna é de que o ambiente ficou mais volátil após uma mudança perceptível na postura do governo no fim de semana. Depois de endurecer o discurso contra Alcolumbre, o Planalto recuou e adotou um tom menos confrontacional. A guinada ocorreu nas últimas horas de domingo, quando assessores passaram a defender que o governo baixasse a temperatura para não aprofundar a crise institucional.
A manifestação pública de Gleisi Hoffmann reforçou essa inflexão. Em sua nota, a presidente do PT afirmou ter “o mais alto respeito e reconhecimento” por Alcolumbre e rejeitou “rebaixar a relação institucional […] a qualquer espécie de fisiologismo ou negociações de cargos e emendas”. Ela também disse que o governo “repele tais insinuações”, classificando-as como ofensivas “à verdade, a ambas as instituições e a seus dirigentes”.
Em outro trecho, Gleisi destacou que todas as indicações anteriores ao Senado — ministros do STF, procuradores-gerais da República, diretores do Banco Central e de agências reguladoras — transcorreram com “transparência e lealdade de ambas as partes”, com cada poder respeitando suas prerrogativas.
O tom suave foi interpretado como um sinal claro de que o governo quer evitar o rompimento total com o presidente do Senado, apostando que a distensão pode ajudar a preservar votos que já estariam alinhados com Messias. Ainda assim, permanece o temor de que a ofensiva de Alcolumbre, somada às incertezas do calendário da sabatina, produza erosão gradual no apoio ao indicado.
Interlocutores do governo afirmam ainda que o envio da mensagem presidencial ao Congresso, formalizando a indicação de Messias, deve ocorrer nos próximos dias justamente para mitigar o risco de perda de votos. A avaliação interna é que, enquanto o rito não estiver oficialmente aberto, a pressão de Alcolumbre pode continuar corroendo apoios pela simples indefinição do calendário.
Além disso, recentemente o Republicanos declarou apoio formal a Messias. O líder da sigla no Senado, Mecias de Jesus (RR), evangélico, afirmou ver no indicado “alguém que preserva valores importantes à sociedade brasileira, como a defesa da família e dos princípios cristãos”. A declaração é lida dentro do governo como um sinal de que o campo evangélico não representa, neste momento, um obstáculo relevante à aprovação do chefe da AGU.
Em meio às negociações, a discussão em torno da aprovação de Messias abriu, inclusive, debates internos no entorno do presidente Lula sobre alternativas em caso de derrota — possibilidade considerada remota, mas ventilada por aliados, conforme adiantou o ICL Notícias. Um dos nomes mencionados nesses cenários hipotéticos foi o da ministra Simone Tebet.
Aliados de Messias mantêm, por ora, a confiança de que a aprovação virá. Mas admitem que, enquanto a votação não ocorrer, cada dia a mais sob fogo cruzado aumenta o risco de dispersão e torna o cenário mais instável. A disputa agora se desloca da arena dos votos para a arena do tempo, onde Alcolumbre segue controlando o ritmo e as margens de manobra.
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ICL Notícias



