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Por Gabriel Gomes
As polícias do estado de Santa Catarina (SC), comandado pelo governador bolsonarista Jorginho Mello (PL), invadiu e vandalizou, na manhã desta quinta-feira (27), a sede do partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP) no estado. Ao mesmo tempo, diversos militantes do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB) e da UP despertaram com viaturas da Polícia Militar, Civil e do Choque em suas casas e tiveram celulares, computadores e outros itens pessoais apreendidos.
“Quebraram a porta da sede do partido e saíram levando computadores, materiais, cadernos e celulares que estavam na sede da UP. A gente ainda não tem o controle exato de tudo que eles levaram porque quando invadiram a sede a gente não estava lá”, relata a presidente da UP em Santa Catarina, Júlia Andrade.

Segundo Júlia Andrade, os agentes apresentaram ao porteiro do prédio da sede da UP, um mandado que buscava a sede do MLB. A direção do partido não foi informada sobre o mandado e a motivação da ação. “Era um documento que falava em busca na sede do MLB. Estamos tentando entender qual foi a justificativa, porque eu, como presidenta do partido, não recebi nenhum tipo de notificação, nenhum contato.
“Se eles quisessem fazer uma busca, nós temos a chave da sede — não precisava dessa truculência toda. Não recebemos intimação, nada. Aparentemente é algo que eles estão articulando em sigilo. É uma movimentação muito estranha por parte do Estado de Santa Catarina”, completa.
Júlia afirma que considera a ação como uma tentativa de criminalizar a luta do partido e do Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas (MLB). “A Unidade Popular é um partido que não é financiado por grandes empresários, é um partido popular, que tem feito de forma intensa a luta pelo fim da escala 6×1, pela moradia digna, e acho que isso incomoda o governo do estado, que é totalmente pautado na especulação imobiliária. É também um estado onde têm ocorrido diversos crimes de racismo, que temos denunciado de forma intensa”.
“Esse episódio é, sobretudo, uma manifestação política do Estado para tentar intimidar não só a UP, mas o conjunto dos movimentos sociais que lutam por memória, verdade e justiça, que lutaram contra a impunidade dos golpistas, que são aliados do governador. Mas, quem luta pelo certo e pelo justo não vai se intimidar. Vamos seguir lutando e denunciando esse absurdo”, prosseguiu.

UP convoca plenária
Após a ação, a Unidade Popular convocou uma plenária de solidariedade para às 12h, na sede do partido em Santa Catarina, que vai reunir defensores dos direitos humanos e da luta contra o fascismo no estado. O partido está atuando para tomar as medidas cabíveis sobre o assunto juridicamente.
Ao ICL Notícias, o presidente da Unidade Popular, Leonardo Pericles, classificou o ocorrido como uma “ação de caráter fascista”. “É uma ação absurda, de caráter fascista, autoritária e injustificável. Policiais invadirem a sede de um partido devidamente constituído nesse paíS. Isso é ação típica de Estado de exceção, de ditadura”.
“Trata-se de uma tentativa de criminalizar a luta social. Especialmente porque também invadiram casas de militantes do MLB, um movimento com mais de duas décadas de ação e luta por moradia. Quando fazem isso, na verdade estão protegendo a grande especulação imobiliária, aqueles que faturam em cima do preço absurdo dos aluguéis, da especulação. É essa inversão de valores que o fascismo promove: tenta inverter a realidade, criminalizando movimentos sociais e partidos que estão, de fato, junto à classe trabalhadora”, completou.
Léo Pericles afirmou que o partido está “tomando todas as medidas — jurídicas, políticas” e não vai “admitir esse tipo de ação, nem contra o partido, nem contra um movimento de luta, como é o caso do MLB”.
O ICL Notícias procurou o governo de Santa Catarina para questionar sobre a ação da manhã desta quinta-feira na sede da Unidade Popular pelo Socialismo. Até o momento, o portal não obteve respostas. O espaço segue aberto.
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