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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Morre cantor e compositor Jards Macalé, aos 82 anos, no Rio de Janeiro

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O cantor, compositor e violonista Jards Macalé morreu nesta segunda-feira (17), no Rio de Janeiro, aos 82 anos. A informação foi divulgada por sua equipe por meio das redes sociais.

Macalé estava hospitalizado na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da cidade, em tratamento contra um enfisema pulmonar. Nesta segunda-feira, ele sofreu uma parada cardíaca que levou ao óbito.

Na nota publicada, a equipe lamentou a perda e relembrou o humor e a vitalidade do artista:

“Jards Macalé nos deixou hoje. Ele chegou a despertar de uma cirurgia cantando ‘Meu Nome é Gal’, com a energia e o bom humor de sempre. Cante, cante, cante — é assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade. Agradecemos o carinho e a admiração de todos. Em breve divulgaremos informações sobre o funeral. 🖤 ‘Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno.’ — Jards Macalé.”

A cantora Maria Bethânia comentou na publicação: “Meu Deus!”.

Jards Macalé: o ‘anjo torto’ da MPB

Ao longo de toda a carreira, Macalé transitou por bossa nova, rock, blues, samba e choro, sempre com seu timbre característico e um violão de forte influência erudita.

Nascido no Rio de Janeiro em 1943, Jards Anet da Silva iniciou sua trajetória musical na década de 1960. Sua primeira composição chegou ao público em 1964, gravada por Elizeth Cardoso.

Desde cedo, Macalé se destacou pela postura ousada e pela recusa a se enquadrar em padrões comerciais, o que lhe rendeu o apelido de “anjo torto” da MPB. Seu primeiro grande impacto nacional ocorreu em 1969, com a apresentação de “Gotham City” no IV Festival Internacional da Canção.

Jards Macalé e Maria Bethânia
Jards Macalé e Maria Bethânia

Em 1972, o músico lançou o influente álbum Jards Macalé, que marcou sua estética singular ao unir rock, samba, jazz, blues, baião e canção popular. Dessa fase nasceram clássicos como “Hotel das Estrelas”, “Mal Secreto” e “Vapor Barato”, que também ganharam projeção nas vozes de Gal Costa e Maria Bethânia.

Mesmo após mais de cinco décadas de atividade, Jards Macalé permaneceu criativo e relevante. Em 2019, lançou Besta Fera, um dos álbuns mais celebrados de sua discografia recente.

Parceiro de poetas como Waly Salomão, Torquato Neto e José Carlos Capinan, ao longo da vida o artista construiu uma obra marcada pela experimentação e pela defesa da liberdade artística.

Essas afinidades o aproximaram de nomes como Luiz Melodia, também resistente às exigências das grandes gravadoras nas décadas de 1970 e 1980.

Ministério da Cultura divulga nota de pesar

“Macalé deixa um legado de liberdade artística e experimentação sonora, com colaborações marcantes com Gal Costa, Moreira da Silva, Nara Leão e Tom Zé”, diz publicação. Confira a íntegra abaixo.

O Ministério da Cultura manifesta profundo pesar pelo falecimento de Jards Macalé, artista fundamental para a música brasileira e figura incontornável da vanguarda cultural do país. Cantor, compositor, instrumentista e inquieto criador, Macalé construiu uma obra marcada pela liberdade, pela experimentação e pela recusa às convenções — qualidades que o tornaram referência para diversas gerações.

Ao longo de mais de cinco décadas de trajetória, transitou por gêneros, linguagens e movimentos, colaborou com alguns dos maiores nomes da cultura nacional e deu ao público canções que atravessaram o tempo, sempre preservando sua integridade estética e sua postura crítica. Sua contribuição para a arte brasileira segue como patrimônio imaterial, vivo e inspirador.

Neste momento de tristeza, o Ministério da Cultura se solidariza com familiares, amigos, parceiros de criação e admiradores de Jards Macalé, reafirmando o reconhecimento e a importância de sua obra para a história cultural do Brasil.



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