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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (SindBancários) inauguraram, nesta quinta-feira (22), a exposição 40 anos da Fazenda Annoni e a Luta pela Terra – o olhar de Eduardo Vieira da Cunha. O artista plástico e fotógrafo Eduardo Vieira da Cunha, que registrou os acontecimentos históricos da ocupação da Fazenda Annoni e da Encruzilhada Natalina nos anos 1980, reúne imagens que documentam a trajetória da luta pela terra no Rio Grande do Sul.
A mostra segue aberta à visitação até o dia 15 de novembro, junto ao Armazém do Campo de Porto Alegre, no SindBancários. Integra a programação da celebração dos 40 anos da ocupação, que também conta com a mostra Cinema da Terra – 40 anos da Ocupação da Fazenda Annoni, e é resultado da parceria entre MST, SindBancários e Brasil de Fato RS.
Na abertura da mostra, Cunha relembrou os desafios e experiências da época, quando cobria os acontecimentos para a sucursal Sul de O Globo. “No início dos anos 1980, fui chamado para uma missão importante, sem imaginar a dimensão histórica daquele momento. Eram tempos de organização dos colonos sem-terra e das primeiras ocupações no norte do estado. O MST ainda não existia. Eu só sabia que deveria me preparar para uma cobertura difícil, sem apoio algum”.
Ele detalhou a rotina de trabalho: “Para mandar o material diário para o Rio, eu montava um laboratório no hotel, revelava os filmes e transmitia as fotos, enfrentando linhas telefônicas precárias e o horário de fechamento do jornal. A sucursal tinha uma independência grande do Rio, e havia concorrência com o Jornal do Brasil. Apesar de todas as dificuldades, passei a conviver intensamente com as pessoas, desenvolvi desenhos inspirados na história e tive experiências que marcaram minha trajetória”.

O fotografo também compartilhou influências familiares e a ligação com causas sociais. “Meu pai, que foi prefeito de Cachoeira do Sul, sempre defendeu causas sociais. Ele fundou um patronato agrícola, uma espécie de escola rural para os filhos aprenderem sobre o todo, longe da ideia de patrão e agricultura patronal. Infelizmente, meu pai faleceu muito cedo, com 36 anos, mas sempre me inspirou na defesa da terra e dos direitos das pessoas”.
Cunha lembrou ainda episódios polêmicos envolvendo informações falsas sobre ele na época. “Recebi manchetes dizendo que eu passava informações privilegiadas a autoridades militares, o que era totalmente falso. A sucursal do jornal Globo foi fechada por outros motivos. A máxima ‘se a lenda é mais importante que a notícia, então imprima-se a lenda’ se aplicou bem nessa história.”
A importância histórica do MST
O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Jair Krischke, destacou a dimensão histórica do movimento: “Cheguei a cobrar uma foto importante, a do Major Curió no acampamento, porque mostra a reação da ditadura frente a um movimento sem-terra. Ingressamos com habeas corpus, ninguém podia entrar nem sair do acampamento, e conseguimos entrar, realizar missas e documentar o momento. Foi um momento muito importante.”
O dirigente reforçou a relevância do MST para a agricultura familiar. De acordo com ele, sem o movimento, os acampamentos, a luta pela terra e a agricultura familiar teriam desaparecido no Brasil, engolidos pelo agronegócio. “Esse movimento, que começou no Sul do país, ganhou dimensão capaz de mudar o perfil da agricultura brasileira”, comenta.
Krischke parabenizou o trabalho, “que vai para a Fazenda Annoni“, de Eduardo Vieira da Cunha. “Eduardo é fotógrafo, mas também é artista. Seu olhar captura o que realmente vale a pena: o ser humano. Essas faces sofridas que ele registrou são muito valiosas. Parabéns pelo trabalho e pela exposição.”
Parceria entre campo e cidade
Para o presidente do Sindibancários, Luciano Fetzner, a parceria com o MST simboliza o diálogo necessário entre campo e cidade. “É muita satisfação termos conseguido construir essa parceria com o MST, trazendo, abrigando e acolhendo o espaço do Armazém do Campo aqui na Casa dos Bancários. Temos certeza de que o campo e a cidade precisam estar sempre dialogando, e o fato de conseguirmos construir essas parcerias aponta para o rumo certo.”
O dirigente destacou a importância do evento para o sindicato: “Estar aqui junto com os companheiros e companheiras, lançando essa exposição e participando desse evento, que abre uma semana de comemorações dos 40 anos da ocupação da Fazenda Annoni, é um motivo de muito orgulho para nós do sindicato.”
Memória e trajetória do MST
A dirigente nacional do MST no RS, Lara Rodrigues, reforçou o valor histórico e coletivo do espaço. “Em nome do MST, agradecemos essa parceria, que transformou este espaço em um local coletivo, não só do MST ou da esquerda, mas de todo o povo da luta, aqui no coração de Porto Alegre. Não poderíamos iniciar sem ser aqui, onde pulsa tanta história, assim como essas histórias que estão expostas nas fotos, que funcionam como um espelho para a nossa organização. Tanto a Encruzilhada Natalina quanto a ocupação da Fazenda Annoni foram o fermento da luta pela terra e da construção do MST, que também completa 40 anos.”
Rodrigues destacou também os ideais do movimento. “Estamos falando de sonhos de pessoas que construíram essa trajetória e que agora preparam a festa dos 40 anos. São sonhos de todos e todas que sonham com um mundo melhor, e sabemos que a reforma agrária é o caminho para a sociedade que desejamos”. Ela encerrou agradecendo aos fotógrafos que registram a memória do movimento: “Agradecemos especialmente a Eduardo e a todos que eternizam nossa luta em imagens e filmes, mostrando para a juventude a importância de se reconhecer e valorizar a história da luta pela terra”.
Evento coletivo e histórico
A iniciativa reúne registros históricos, imagens e filmes que celebram a trajetória da luta pela terra e a memória do MST, reafirmando a importância da documentação da história para as novas gerações.
As comemorações seguem nos dias 24 e 25 de outubro, no Assentamento 16 de Março, em Pontão (RS), com atividades culturais e políticas que reafirmam a luta por reforma agrária e justiça social.
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Fonte: Brasil de Fato



