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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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BH apresenta níveis de poluição do ar acima do recomendado pela OMS, revela pesquisa da UFMG — Brasil de Fato

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Belo Horizonte apresenta níveis de poluição atmosférica acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em todas as principais vias da cidade. A constatação é de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Geografia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conduzida pelo climatologista Alceu Raposo Júnior. 

O estudo, que integra sua tese de doutorado, revelou que o adensamento urbano e o aumento no número de veículos são fatores centrais para o agravamento da qualidade do ar na capital mineira.

Segundo o levantamento, a Rua Padre Eustáquio, na região noroeste, apresentou a maior concentração de material particulado, com 78 microgramas por metro cúbico de ar, bem acima do limite de 45 µg/m³, estabelecido pela OMS. Outras vias também ultrapassaram os padrões de segurança: Avenida Nossa Senhora do Carmo (69 µg/m³), Avenida Amazonas (65 µg/m³), Avenida Antônio Carlos (69 µg/m³) e Anel Rodoviário (57 µg/m³).

“Todas as vias analisadas ficaram acima do parâmetro da OMS. A Padre Eustáquio, por exemplo, tem uma estrutura urbana que dificulta a dispersão do ar, é uma rua estreita, com muitas edificações próximas e tráfego intenso, o que favorece o acúmulo de poluentes”, explicou, ao Brasil de Fato MG, o pesquisador Alceu Raposo Júnior.

Planejamento urbano 

A pesquisa indica que a morfologia urbana de Belo Horizonte tem papel determinante na qualidade do ar. Segundo Raposo, ruas estreitas e edificações próximas formam verdadeiros corredores de poluição. Por outro lado, vias que passaram por requalificações urbanas, como a Antônio Carlos, apresentam dispersão mais eficiente dos gases, graças ao aumento da largura das faixas de rolamento e ao maior afastamento das construções.

“A Avenida Antônio Carlos, após as intervenções feitas há cerca de uma década, ganhou ventilação e circulação de ar. Esse tipo de urbanização influencia diretamente na capacidade da cidade de se ‘autolimpar’ dos poluentes”, pontua o pesquisador.

Além da estrutura das vias, o tráfego intenso e lento, causado pelo crescimento do número de veículos na capital, agrava o cenário. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que Belo Horizonte ultrapassou, em 2024, a marca de 2,6 milhões de veículos registrados, superando o número de habitantes da cidade.

“Grande parte das emissões vem dos automóveis. E não é apenas a quantidade: o transporte público ainda depende fortemente do diesel, que é muito mais poluente. Sem um sistema de massa eficiente e com baixa emissão, a tendência é de piora”, alerta Raposo.

Investir no transporte público é saída viável

Segundo o pesquisador, a falta de um planejamento efetivo do transporte público de massa dificulta a superação desse problema. 

“A gente não tem metrô para grande circulação que vai em grandes áreas, porque isso incentivaria as pessoas a utilizarem o transporte público e você ia desincentivar o uso dos carros”, pontua. 

“Quando a cada ano há uma piora no transporte público de massa, tem um aumento de carros, porque todo mundo fala: ‘eu não aguento mais andar de ônibus, porque não chega no lugar que eu quero, não chega no meu trabalho’, e, cada vez mais, todas as pessoas buscam conseguir dinheiro para comprar um carro”, afirma. 

Esse movimento, segundo Raposo, é contrário a outros países desenvolvidos, onde as pessoas não querem arcar com os custos de um carro. Em BH, porém, devido aos desafios constantes com ônibus ou metrô, a população busca soluções individuais, que aumentam a emissão de poluentes.

“A saída desse ciclo não é, de fato, construir vias mais largas. Porque, se a gente fizer isso, em uma década depois, a via já vai estar saturada. A saída é investir no transporte público de qualidade com baixas emissões. A gente tem que colocar fontes de energia elétrica ou também de etanol, que é muito menos poluente”, acrescenta. 

O ar que não circula

Durante o inverno, o pesquisador identificou a formação de bolsões de poluição, regiões onde a circulação atmosférica é insuficiente para dispersar os gases e partículas emitidos pelos veículos. No verão, por outro lado, aparecem os chamados hotspots, pontos quentes de poluição, concentrados em áreas específicas e de alta atividade humana.

“No inverno, Belo Horizonte é recoberta por uma espécie de tampa de poluição. Já no verão, há núcleos menores e variáveis, que dependem das condições climáticas e do fluxo de veículos”, explica.

Esses fenômenos reforçam o que já foi observado em grandes cidades chinesas, como Pequim e Xangai: o adensamento urbano irregular e a lentidão do tráfego estão diretamente associados ao aumento da concentração de poluentes e à piora na qualidade do ar.

Medir para agir

Para mapear as concentrações de poluentes, Alceu Raposo utilizou uma estação automática móvel de baixo custo, comparada às estações utilizadas em grande parte das cidades, instalada em um veículo e equipada com sensor óptico a laser. O dispositivo coleta o ar e contabiliza em tempo real a quantidade de partículas suspensas.

“Essa metodologia é precisa, prática e acessível. Enquanto uma estação fixa tradicional pode custar até R$ 2 milhões por ano em manutenção, o equipamento portátil tem custo muito menor e permite medições em diferentes locais da cidade”, explica o climatologista.

O método, já utilizado em países como Estados Unidos e China, é visto como uma alternativa viável para municípios que não dispõem de infraestrutura de monitoramento ambiental permanente.

O que é possível fazer a partir da pesquisa?

Para criar métodos eficientes para reduzir a poluição do ar, segundo Raposo, o primeiro passo é conhecer a realidade da cidade a partir das pesquisas científicas. 

“No caso de Belo Horizonte, no inverno, o problema é agravado. Então, você já tem capacidade de atuar e fazer políticas públicas efetivas. Exemplo: se o problema da qualidade do ar em Belo Horizonte se agrava no inverno, esse é o período em que precisamos reduzir a circulação de veículos no grande centro de Belo Horizonte”, propõe. 

O pesquisador cita, nesse sentido, que é preciso incentivar o uso de transportes individuais sustentáveis, como bicicletas e patinetes elétricos e também criar zonas de restrição de tráfego nas áreas de maior concentração de poluentes.

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Fonte: Brasil de Fato

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