Uma pesquisa com 250 mil adultos em mais de 50 países realizada pelo Financial Times revelou que o tempo médio diário nas plataformas de redes sociais caiu quase 10% desde 2022, especialmente entre os jovens.
O estudo aponta que setembro de 2025 pode marcar o pico das redes sociais, justamente por conta do lançamento dos aplicativos de conteúdo gerado por IA da Meta e da OpenAI, o Vibes e o Sora. Expliquei o funcionamento desses novos apps no episódio #333 do RESUMIDO. A atenção está migrando de espaços que hoje já são de consumo passivo, já que as pessoas publicam cada vez menos, para feeds inteiramente sintéticos.
As redes deixaram de ser sociais. O que começou como espaço de conexão com amigos e família, se torno um ambiente dominado por conteúdos de influenciadores, celebridades e marcas. Apenas 4% dos vídeos do YouTube são responsáveis por 94% das visualizações. No TikTok, 5% dos vídeos geram 89% das visualizações. No Instagram, 3% dos vídeos respondem por 84% do total. Todo mundo está vendo os mesmos poucos vídeos e quase ninguém está criando nada.
Até a geração de imagens pelo ChatGPT caiu 80% desde o lançamento em 2022. No início, todos ficaram empolgados com as possibilidades, gerando memes, versões de si mesmo em situações improváveis para enviar para os amigos. Agora, o interesse despencou. A exceção desse declínio global das redes sociais são os EUA, onde o uso continua crescendo 15% acima da média europeia, impulsionado por conteúdo extremo e apelativo.
O caminho para essas redes sociais sintéticas não deve ser muito diferente. Estamos vendo um volume grande de posts, mas logo mais a tendência perde a novidade e cansa. Porque, como os números mostram, a maior parte dos consumidores não quer criar conteúdo, quer ser entretida por um grupo pequeno de criadores talentosos.
As redes sociais continuam continuam centrais na comunicação contemporânea. Nos EUA, a percepção do conflito entre Israel e Palestina foi moldada pelas imagens de destruição e sofrimento em Gaza no TikTok e no Instagram. Pela primeira vez desde 1998, a opinião pública por lá demonstrou mais simpatia pelos palestinos do que pelos israelenses.
Estamos vivendo uma transição de poder. Saem as redes sociais e entra a IA para ocupar o lugar de novo espaço de projeção e dependência. Só que não importa para onde formos, os problemas de desinformação, exploração de dados e superficialidade disfarçada de autoridade, vão também.
Trocamos o vício de plataforma, sem resolver o vício em si.



