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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Analistas venezuelanos não descartam ataque dos EUA, mas apostam em esforço de Trump para manter pressão psicológica — Brasil de Fato

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A divulgação na quarta-feira (15) de planos “secretos” da CIA realizar ataques em solo venezuelano, entre outras medidas contraditórias tomadas por Washington, pode ser a mesmo a prévia de um ataque militar, mas parece mais parte de uma narrativa visando manter a pressão psicológica sobre a Venezuela. Esta é a opinião de analistas de Caracas ouvidos pelo Brasil de Fato.

“O objetivo é manter a agenda de intervenção militar, aberta ou silenciosa, na opinião pública nacional e internacional”, diz o cientista político William Serafino. Ele baseia sua conclusão no fato de parecer “até absurdo que uma operação secreta da CIA seja divulgada publicamente”.

“Se o propósito for estritamente operacional, isto é, se operações de guerra suja, infiltração de mercenários e violência política foram realmente autorizadas, o governo venezuelano agora sabe e pode se preparar muito melhor para defender o país. Essa suposta operação secreta já nasceria enfraquecida.”

Reforçando a tese, Serafino cita também o sobrevoo sobre a Venezuela de enormes bombardeios estadunidenses B52 na quarta, que contrastaria com os planos divulgados de guerra assimétrica, de sabotagem, que a CIA estaria “secretamente” planejando. Posto isso, o analista acredita que a movimentação dos EUA “tem outros propósitos, mais voltados para a guerra psicológica e a intimidação cognitiva do país”.

Opinião parecida tem o cientista político e ex-assessor da petroleira venezuelana PDVSA Franco Vielma, que ressalta a falta de “consistência tática das ações da CIA em campo, que deveriam estar em sintonia com outras ações militares”.

“Mas a mobilização dos EUA é tão monumental e barulhenta, incongruente, que se perde nas narrativas de ruído. Os furtivos F-35 deveriam ser capazes de executar cirurgicamente o assassinato de Maduro, mas os B-52 sugerem bombardeios pesados ​​e em larga escala. Agora, se as operações da CIA buscam decapitar a liderança, qual é o verdadeiro foco da operação? Não há consistência tática.”

Ao Brasil de Fato, Vielma afirma que “uma ‘operação secreta’ da CIA seja orquestrada, primeiro para o New York Times e depois oficialmente confirmada”.

“Há uma escalada de narrativas; faz parte do jogo de pressão pública, notória e comunicacional, parte do jogo de pôquer e blefe. Certamente a Venezuela não atacará primeiro ou cairá em provocações.”

O ex-analista da PDVSA pondera que “a ameaça não deve ser descartada, mas parece que esse aumento repentino de narrativas, ruído e espetacularidade bélica sugere que os EUA esperaram por situações em terra que não ocorreram, como colapso institucional, sedição militar ou ações insurrecionais”.

“Mas se a ruptura que esperam não ocorrer, ou se não houver rupturas nas linhas de comando na Venezuela, Trump será forçado a declarar sua operação como ações puramente antidrogas caso não consiga a desejada mudança de regime”, conclui.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, respondeu às ameaças de Donald Trump de realizar ataques terrestres contra supostos “cartéis” no país, afirmando que os venezuelanos querem paz e não desejam uma guerra no Caribe. Maduro lembrou os golpes militares no Chile e Argentina, com apoio da CIA, e declarou que é preciso mostrar à opinião pública dos EUA as mentiras propagadas pelo governo Trump.

Apesar do discurso, Maduro ordenou exercícios militares nas maiores comunidades do país. Analistas políticos apontam que as ameaças são uma escalada retórica e que a CIA nunca deixou de organizar ações subversivas contra países “inimigos” dos EUA. A agência estadunidense também esteve envolvida no golpe militar de 1964 no Brasil, na morte de Che Guevara e outras maquinações na Bolívia, o golpe de 1973 no Chile, o de 1976 na Argentina, e sabotou o governo sandinista de esquerda da Nicarágua na década de 1980.

*Colaborou Rodrigo Durão Coelho

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Fonte: Brasil de Fato

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