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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Havana recebe o 3º Encontro Internacional de Publicações Teóricas de Esquerda — Brasil de Fato

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Com a participação de 220 delegados de mais de 30 países, Havana sedia o 3º Encontro Internacional de Publicações Teóricas de Partidos e Movimentos de Esquerda — um espaço de intercâmbio que busca fortalecer o pensamento crítico e a produção teórica das esquerdas diante dos desafios do mundo contemporâneo.

O evento, que ocorre de 15 a 17 de outubro na Universidade do Partido Comunista de Cuba “Ñico López”, é promovido pela revista Cuba Socialista, órgão teórico do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. Trata-se de um encontro voltado a promover o diálogo sobre as experiências, os desafios e as perspectivas atuais do pensamento e da ação política das esquerdas.

Tecnologia, trabalho e meio ambiente na era da inteligência artificial

Durante a cerimônia de abertura, que contou com a presença do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, foi apresentada a conferência do jornalista e professor de teoria da comunicação Ignacio Ramonet, intitulada “Informação e manipulação midiática: a esquerda diante dos desafios da superinteligência artificial quântica”.

Em sua intervenção, Ramonet analisou como o surgimento das novas tecnologias redefiniu a produção, a distribuição e o consumo de informação. Destacou ainda que o avanço da inteligência artificial (IA) representa um desafio para as esquerdas, ao transformar os mecanismos de verificação de dados, a segurança informacional e a difusão de conteúdos políticos.

O acadêmico afirmou que a IA está catalisando uma transformação sem precedentes no mundo do trabalho e na estrutura econômica global. Diferentemente das revoluções tecnológicas anteriores, que automatizaram principalmente tarefas manuais e rotineiras, a inteligência artificial avança com a capacidade de desempenhar funções cognitivas complexas, como análise de dados, diagnóstico médico, criação de conteúdo e tradução. Essa evolução — advertiu Ramonet — ameaça deslocar amplos setores das classes médias profissionais, gerando uma crescente pauperização.

Nesse sentido, ele apontou a urgente necessidade de reconsiderar os sistemas educacionais, os modelos de proteção social e a distribuição da riqueza gerada por essa nova forma de capitalismo.

Ramonet enfatizou ainda que o avanço da IA redefine as tensões geopolíticas e, ao mesmo tempo, exerce uma pressão insustentável sobre os ecossistemas do planeta. Lembrou que sua infraestrutura física, dependente de centros de dados massivos e redes de computação de alta potência, consome quantidades extraordinárias de energia e água, agravando a crise climática.

Essa demanda — observou — transformou minerais críticos, como terras raras, lítio e cobalto, em recursos estratégicos, reconfigurando alianças internacionais e gerando conflitos pelo seu controle. Assim, a corrida pela supremacia em inteligência artificial não ocorre apenas no campo digital, mas também na exploração de recursos naturais finitos.

No plano da informação, Ramonet afirmou que “toda grande ruptura no campo da comunicação gera disfunções na ordem social e coloca em jogo um valor fundamental: a liberdade”.

Pensamento crítico e produção teórica

Ao final da aula magistral, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel fez uma breve intervenção na qual destacou o valor do pensamento crítico como ferramenta de ação política. “A ideia hoje se transforma em trincheira, a palavra em instrumento e a publicação em ato de militância. Publicar sob a ótica das esquerdas progressistas, neste mundo brutal, é um ato de resistência”, afirmou.

Em conversa com o Brasil de Fato, Luis Morlote Rivas, diretor da Cuba Socialista, explicou que o encontro busca “ser um espaço de encontro, de intercâmbio, de reflexão sobre a realidade internacional e, sobretudo, sobre a produção de teorias”.

Morlote ressaltou que uma das discussões mais urgentes para as esquerdas é a necessidade de reconstruir um corpo teórico enraizado nas tradições marxista, leninista, fidelista, martiana e da América Latina, capaz de recuperar o legado dos grandes pensadores que enriqueceram o marxismo no século XXI e de oferecer ferramentas para compreender e responder aos desafios do presente.

“O encontro que celebramos em Havana é uma aposta que busca contribuir para a unidade da esquerda na construção de uma sociedade muito mais justa”, afirmou. “É necessário examinar a realidade em um contexto no qual a esquerda apresenta um déficit na produção teórica. Precisamos articular um corpo de produção teórica marxista capaz de gerar análises sobre os problemas atuais e de oferecer às nossas militâncias a oportunidade de se instruírem, refletirem e debaterem. À esquerda faz muita falta a polêmica no campo teórico.”

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Fonte: Brasil de Fato

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