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A Mostra de Produção Científica das Mulheres Camponesas é um dos destaques do 2º Congresso Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), iniciado nesta segunda-feira (13), na Granja do Torto, em Brasília. A exposição reúne saberes ancestrais, práticas agroecológicas, sementes crioulas e produtos diversos como forma de reafirmar que as mulheres do campo são também cientistas, produtoras de conhecimento e protagonistas da soberania alimentar.
A feira integra a programação do Congresso, que segue até esta quarta-feira (15), reunindo mais de duas mil mulheres do Brasil, da América Latina e do mundo. O evento acontece 20 anos após a primeira edição, e consolida a força do MMC como movimento nacional e internacional.
Coordenada por Ana Cláudia, integrante da direção nacional do movimento, a Mostra de Produção Científica é uma iniciativa que busca reconhecer e dar visibilidade aos conhecimentos produzidos pelas mulheres camponesas no cotidiano. “Temos aqui a ciência das camponesas. Conhecimentos que nascem da prática, da convivência com a terra, da produção de alimentos, da cura com plantas medicinais, da agroecologia, das sementes crioulas. É o saber que vem do chão, da vida, e que também se soma às pesquisas, aos estudos e à formação política”, afirmou Ana Cláudia.
Um dos pontos fortes da mostra é a diversidade territorial, étnica e cultural das mulheres presentes. Além das agricultoras, artesãs e extrativistas, a feira também destaca a participação de mulheres indígenas, que trazem consigo saberes tradicionais ancestrais expressos na arte, na espiritualidade e na produção coletiva.

Katrine, indígena do povo Pataxó, da Aldeia Geru-Tucunã, em Açucena (MG), participa do Congresso pela primeira vez, levando peças artesanais produzidas a partir de sementes, penas e fibras naturais. “A gente produz colares, xuxinhas de cabelo com penas tingidas, tiaras, palitos de cabelo e cintos do sonho. É tudo feito manualmente, com muito cuidado e tradição”, explicou. Para ela, estar na feira é uma oportunidade de apresentar a cultura do seu povo e fortalecer os laços entre as mulheres do campo: “É importante para mostrar nossa cultura e o nosso objetivo, nossa apresentação como povo. Estar aqui é um orgulho.”
Além dos alimentos agroecológicos e das sementes nativas, a mostra apresenta ainda produtos de higiene e cosméticos naturais, peças de artesanato, crochê, bordados e outros itens feitos pelas mulheres em seus territórios. A diversidade da exposição demonstra a autonomia econômica e a capacidade de resistência frente ao avanço do agronegócio e à ameaça aos territórios tradicionais.
Maria Joseli Correia dos Santos, camponesa do assentamento Padre Emílio Alpe, em União dos Palmares (AL), participa da mostra com doces de leite, fava crioula, açafrão, barbatimão, aroeira, colorau natural e sabonetes. Para ela, o espaço é uma feira oportunidade de fortalecer redes e garantir renda. “É muito importante para nós, pequenos agricultores, porque a gente vende bem nossos produtos e ainda cria um caixa coletivo, que nos ajuda a participar de outros congressos. Trazemos também produtos de companheiras que não puderam vir, então é um trabalho coletivo e solidário”, explica.
Vinda do Paraná, Claudete Barbosa Lorena trouxe geleias, fubá e milho produzidos de forma orgânica por mulheres do município de Palmeira. “Aqui a gente mostra nossa autonomia. Somos nós que plantamos, colhemos, transformamos e vendemos. Isso dá orgulho, dá força, porque somos donas do nosso trabalho e da nossa história”, contou.

A artesã Maria de Lourdes Brasileiro Alves, de Riacho de Santana (BA), apresenta suas peças de crochê e destaca o reconhecimento do trabalho artesanal como parte da luta das mulheres camponesas. “É uma maravilha estar aqui. Já participei de outras feiras, mas essa tem um valor especial. É o reconhecimento do nosso talento, da nossa criatividade e da nossa luta como mulheres do campo”, afirmou.
Sementes crioulas
A mostra também integra a Campanha Nacional “Sementes da Resistência”, iniciativa do MMC que promove o resgate, a preservação e a multiplicação das sementes crioulas, fundamentais para a soberania alimentar dos povos. Como destaca Ana Cláudia, “essas sementes são vida, são parte da memória e da autonomia das mulheres camponesas. Preservá-las é também um ato político.”
Ao lado da mostra, o painel histórico do MMC traça a trajetória de mais de 40 anos de organização das mulheres camponesas, suas lutas, conquistas e desafios. “É importante mostrar que nossa ciência é viva, é construída todos os dias nos quintais, nos roçados, nas cozinhas, nos encontros. Essa mostra é uma celebração dessa sabedoria coletiva que sustenta a vida no campo”, conclui a coordenadora.
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Fonte: Brasil de Fato



