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sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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Com exportações em alta, China se impõe na disputa com os EUA

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As exportações da China cresceram 8,3% em setembro, na comparação anual, marcando o ritmo mais forte em seis meses e superando amplamente as projeções do mercado. Com um volume total de US$ 328,6 bilhões no mês, o país demonstra vigor exportador mesmo diante da escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos — uma tendência que pode dar mais confiança a Pequim nas negociações comerciais em curso.

Embora os embarques para os EUA tenham recuado 27% no mês, acumulando o sexto mês seguido de quedas de dois dígitos, as vendas para outros mercados dispararam. Exportações para a União Europeia, América Latina, África e países do Sudeste Asiático compensaram amplamente a retração no comércio com os americanos, indicando que a China tem conseguido mitigar os impactos das barreiras tarifárias por meio de uma estratégia ativa de diversificação.

A alta de 14,8% nas exportações para mercados fora dos Estados Unidos reflete não apenas a abertura de novas frentes comerciais, mas também o uso crescente de rotas indiretas, como via Vietnã — apontado por analistas da Capital Economics como um “centro de redirecionamento” para produtos chineses que buscam escapar das tarifas norte-americanas.

O crescimento das exportações para a África (56%), América Latina (15,2%) e União Europeia (14%) reforça essa leitura. Enquanto isso, produtos estratégicos como baterias de lítio, veículos elétricos e navios — setores menos dependentes do mercado norte-americano — têm puxado a expansão comercial da China.

Encontro de líderes da China e dos EUA

Esses números devem pesar nas próximas conversas entre autoridades comerciais, especialmente com a aproximação da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), prevista para o fim do mês, na Coreia do Sul.

O possível encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, permanece no radar diplomático, mas está cercado de tensões. A recente decisão de Pequim de restringir globalmente exportações de produtos com traços de terras raras levou Trump a ameaçar cancelar a reunião. Em resposta, o presidente norte-americano anunciou uma nova tarifa de 100% sobre produtos chineses e restrições adicionais a softwares críticos.

Apesar da escalada verbal, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a reunião com Xi “ainda está mantida” e destacou uma série de “comunicações substanciais” com autoridades chinesas.

Bessent também confirmou que uma nova rodada de negociações será realizada antes de 10 de novembro — prazo final para a atual trégua tarifária.

Segundo estimativas da Bloomberg Economics, o aumento de tarifas proposto por Trump elevaria a taxa efetiva sobre produtos chineses para cerca de 140%, patamar que praticamente inviabilizaria o comércio entre os dois países. Ainda assim, a robustez das exportações chinesas e o sucesso na abertura de novos mercados dão a Pequim espaço para manter uma postura mais assertiva.

 





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