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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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‘Sem saída’, Macron vai esgotando suas possibilidades, dizem analistas após queda de terceiro premiê em um ano

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Restam poucas opções ao presidente francês após a queda de Sébastien Lecornu, seu terceiro primeiro-ministro em um ano, ocorrida no domingo (5). Esta é a análise de especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, que ressaltam que a profunda divisão política do país indica que a população francesa não se sente representada por seu governo, que tem mandato até 2027.

“A França está em um beco sem saída e parece estar em um momento em que seu sistema político precisa ser refundado”, disse Giorgio Romano Schutte. O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) diz que a estratégia usada por Macron desde o ano passado, de jogar a culpa da crise na oposição, “não funciona mais”.

“Essa coisa de ele colocar a responsabilidade pelas consequências caóticas sobre as oposições, para desgasta-las, não está mais funcionando”, diz ele.

Em 5 de dezembro de 2024, ele creditou à esquerda e a extrema direita a atual crise política no país, após a derrubada do premiê Michel Barnier, menos de 100 dias no cargo. Prometendo cumprir seu mandato até o fim e rejeitando pedidos de renúncia, Macron disse que a queda de Barnier aconteceu “porque a extrema direita e a extrema esquerda se uniram, numa frente anti-republicana, e porque as forças que até ontem governavam a França optaram por se aliar”, completando que “nunca assumiria a responsabilidade pelos outros.”

“Não cola ele responsabilizar a esquerda”, resume Monica Lessa, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A analista disse à reportagem que “em um cenário em que [o presidente estadunidense, Donald] Trump delegou para a Otan a guerra da Ucrânia, os franceses querem novas eleições”.

“Acredito que ele possa escolher o David Lisnard, que foi um bem-sucedido prefeito de direita de Cannes”, explica ela, se referindo à liderança do partido Os Republicanos (LR), fundado pelo ex-presidente Nicolás Sarcozy.

E a extrema direita?

Macron encarregou nesta segunda-feira (6) Lecornu de conduzir as “negociações finais” até quarta-feira (8) em busca da “estabilidade do país”. O primeiro-ministro entregou sua renúncia nesta segunda-feira, horas após o anúncio de seu governo gerar tensões com seus parceiros no partido conservador Os Republicanos (LR) e ser rejeitado pela oposição, que já havia derrubado seus dois antecessores em menos de um ano.

“Mas acho também que ele possa cair nos braços da extrema direita”, pondera Lessa.

Macron vive desde 2024 em estado permanente de crise política desde a votação para o Parlamento Europeu, dominada pela extrema direita, em junho, e por sua decisão de convocar eleições legislativas antecipadas para, segundo ele, “esclarecer o cenário” no país. O resultado foi um Legislativo ainda mais dividido, com a extrema direita, a esquerda e o centro estabelecendo seus próprios feudos, e com uma margem de manobra ainda menor do que a que o presidente tinha na legislatura anterior.

Romano Schutte considera que “renunciar, convocando eleições antecipadas, não combina com Macron”.

“Mesmo se ele fizesse isso e a extrema direita com Marine Le Pen vencesse, ela também não teria maioria para governar”, calcula.

“Neste momento, ele está em uma posição desgraçada. Parece estar simplesmente insistindo, tentando jogar a opinião pública contra as oposições até que ele consegue uma estabilização”, completa.

Consequências

A demissão de Lecornu aumentou a pressão dos mercados, ainda mais quando a dívida pública da segunda economia da União Europeia gira em torno de 115,6% do PIB, e preocupou a Alemanha, seu principal parceiro na Europa.

“Uma França estável é uma contribuição importante para a Europa”, afirmou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, embora tenha indicado que confiavam na “estabilidade” do seu vizinho.

Este novo terremoto político provocou a queda da Bolsa de Paris (-1,70% às 6h do horário de Brasília) e um aumento na taxa de juros da dívida francesa em dez anos. O euro caiu, perdendo 0,63% frente ao dólar, a US$ 1,1688 por euro.

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Fonte: Brasil de Fato

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