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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Haddad defende meta contínua de inflação

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, em entrevista exclusiva concedida ao ICL Notícias 1ª edição nesta terça-feira (23), a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de adotar a meta contínua de inflação e manter o centro da meta a ser perseguida pelo Banco Central em 3%, rompendo com o modelo anterior atrelado ao calendário anual.

Para ele, a mudança foi uma resposta a um ambiente político e institucional anômalo, especialmente durante o período em que o Banco Central era comandado por Roberto Campos Neto, nomeado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Nós não estávamos numa situação normal, estávamos numa situação excepcional. Essa história vai ser contada no momento adequado, com os personagens dizendo o que aconteceu na transição”, disse.

Haddad rejeitou as críticas de que a mudança no regime de metas teria sinalizado leniência com a inflação. Ele afirmou que, à época da decisão, seria incoerente fixar uma meta superior ao que a população já percebia como realidade inflacionária.

“Eu não acredito que a decisão tenha sido equivocada. Eu faria de novo: mudaria o calendário para contínuo, mas sem alterar o centro da meta.”

Haddad defende redução da taxa básica de juros e critica patamar atual de 15% ao ano

Em entrevista ao ICL Notícias, Haddad afirmou que há condições para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros da economia, atualmente fixada em 15% ao ano – o nível mais alto em quase duas décadas.

Ele destacou que, em sua avaliação, os juros já não deveriam estar nesse patamar: “Eu entendo que tem espaço para esse juro cair. Acredito que nem deveria estar em 15% . Ele [Gabriel Galípolo] tem os quatro anos de mandato dele, e ele vai entregar um resultado consistente ao Brasil […]. Eu não voto no Copom. Essa opinião, boa parte do mercado compartilha”, disse Haddad.

Na semana passada, o Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano pela segunda vez consecutiva, reforçando a estratégia de contenção da inflação.

Congresso e arcabouço: lobby e privilégios ainda são barreiras

Ao comentar os desafios políticos enfrentados pelo governo no Congresso Nacional, Haddad reconheceu que o Parlamento representa grupos privilegiados e que o avanço de uma política tributária mais justa exige romper com estruturas de poder estabelecidas.

“Nós herdamos um sistema tributário cheio de distorções: impostos regressivos sobre o consumo, guerra fiscal entre estados, uma base fiscal corroída por isenções criadas por lobby. Nós estamos revendo tudo isso.”

Ele citou como exemplo a reversão da desoneração da folha de pagamentos, algo que ministros anteriores tentaram sem sucesso. Também lembrou do acordo no Congresso para encerrar o Perse, programa criado para o setor de eventos, e da retomada da tributação sobre offshores e fundos exclusivos — medidas que enfrentaram forte resistência política.

“O voto de qualidade do Carf, por exemplo, era um escândalo. E a sociedade nem percebeu o tamanho do problema que corrigimos.”

Receita Federal como braço de inteligência

Haddad também elogiou o novo papel da Receita Federal em ações conjuntas com o Ministério da Justiça e o Ministério Público, citando como exemplo a operação Carbono Oculto, que desvendou esquemas de lavagem de dinheiro e sonegação.

“A Receita assumiu tarefas importantes no campo da segurança pública. A operação Carbono Oculto começou na Receita, que atuou em parceria com o Gaeco de São Paulo”, disse. “A Receita está atuando em favor da segurança pública”, completou.

 



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