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O presidente Lula faz o discurso de abertura na 80ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, hoje às 10h, no horário de Brasília. É a primeira viagem de Lula aos EUA, desde a posse de Donald Trump em janeiro e depois dos do tarifaço de 50% imposto pelo governo americano a produtos brasileiros.
A presença de Lula também ocorre em momento aumento de tensão das relações entre Brasil e Estados Unidos. Na segunda-feira (22), os EUA impuseram novas sanções ao Brasil, com a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e a sanção financeira contra a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Lula vai manter a tradição de o Brasil abrir o debate da ONU, seguido pelos Estados Unidos. Há possibilidade de que Lula e Trump se encontrem na sede das Nações Unidas e de que cada um acompanhe o discurso do outro.
A fala de Lula deve abordar temas que contrapõem a visão do Brasil a dos Estados Unidos sob Trump como a defesa da soberania nacional; democracia e multilateralismo; críticas ao protecionismo e às taxações comerciais; proposta de reforma da ONU; compromissos da COP30 e preservação ambiental; conflitos na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Lula: o que está ocorrendo em Gaza é genocídio
Já em Nova Iorque desde ontem, Lula defendeu nesta a solução de dois Estados para a pacificação do Oriente Médio: o Estado da Palestina e o Estado de Israel. Em reunião convocada pela França e Arábia Saudita, da Conferência Internacional de Alto Nível para a Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, o presidente brasileiro voltou a caracterizar a guerra em Gaza como “genocídio”.
“Como apontou a comissão de inquérito sobre os territórios palestinos ocupados, não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”. “O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação. Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir”, disse o presidente Lula na conferência.
Segundo o governo brasileiro, a paz, segurança e a estabilidade no Oriente Médio passa pela implementação de um Estado da Palestina, independente e viável, coexistindo lado a lado como Estado de Israel, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital.
O presidente brasileiro afirmou que o Brasil apoia a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que teve papel fundamental no fim do regime de segregação racial na África do Sul. “Assegurar o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade”, disse.
Lula destacou ainda que o Brasil condenou enfaticamente os atos cometidos pelo Hamas. O presidente brasileiro ressalvou, porém, que o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis.
“Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de 50 mil crianças, destruir 90% dos lares palestinos e usar a fome como arma de guerra, nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda”, disse.



