Polícia Federal investiga fraudes em licitações e uso de empresa de fachada para movimentar mais de R$ 6 milhões
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Cyclic Impetum para investigar supostos desvios de recursos de emendas pix no município de Iracema, no Sul de Roraima. A ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-prefeito Jairo Ribeiro, além das residências de atuais secretários municipais e servidores da Comissão Permanente de Licitação (CPL).
Os agentes também cumpriram ordens na sede da Prefeitura de Iracema e em imóveis localizados em Boa Vista e em Alto Alegre, no Norte do Estado.
Segundo a PF, a investigação foi aberta após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) identificar indícios de contratação fraudulenta de uma empresa de fachada ligada a um ex-servidor municipal. O documento apontou movimentações financeiras superiores a R$ 6,7 milhões, sendo que R$ 4,8 milhões teriam como origem o Fundo Municipal de Saúde.
Empresa de fachada e fraudes em licitação
As apurações indicam que a empresa investigada teria sido usada para fraudar processos licitatórios, frustrar concorrência e lavar dinheiro público. O esquema teria ocorrido entre 2020 e 2024, período que compreende o segundo mandato de Jairo Ribeiro como prefeito.
Nesse intervalo, Iracema foi o quinto município que mais recebeu emendas pix no país, com volume de R$ 55,7 milhões, segundo dados apresentados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ligação com decisão do STF
A deflagração da operação ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do STF, suspender o repasse de emendas parlamentares para dez cidades brasileiras, entre elas Iracema. Segundo o ministro, houve execução dos recursos fora das especificações técnicas previstas em contrato, o que reforçou a suspeita de irregularidades.
Ex-prefeito já foi preso em agosto
Esta é a segunda vez, em menos de dois meses, que Jairo Ribeiro é alvo da Polícia Federal. Em agosto deste ano, o ex-prefeito chegou a ser detido por quase dez horas, suspeito de envolvimento em compra de votos para favorecer a eleição da atual prefeita, Marlene Saraiva (Republicanos), sua aliada política.
Na ocasião, a investigação apontou indícios de uso da máquina pública e de recursos indevidos para manipular o processo eleitoral.
Defesa ainda não se pronunciou
Até o momento, a defesa de Jairo Ribeiro e dos secretários citados — Willys Leal Costa (Saúde), conhecido como DDD, e Antonio José dos Santos Filho (Finanças) — não se manifestou publicamente sobre as acusações.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que os envolvidos podem responder por crimes de fraude em licitações, associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.



