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A Polícia Judiciária de Portugal prendeu nesta segunda-feira (8) João Paulo Silva Oliveira, de 56 anos, acusado de incitar à violência contra brasileiros que vivem no país. Em um vídeo publicado no TikTok, que rapidamente viralizou, ele aparece exibindo uma nota de € 500 e prometendo pagar essa quantia a quem entregasse a “cabeça de um brasileiro, cortada rente no pescoço”.
Oliveira, que trabalhava como confeiteiro em uma padaria, foi detido em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro. Segundo as autoridades, ele já era conhecido pela polícia e possuía antecedentes criminais por dano ao patrimônio. O português será submetido a interrogatório e apresentado a um tribunal nesta terça-feira (9), que decidirá se ele permanecerá preso preventivamente ou responderá em liberdade.
português oferece 500 euros pela cabeça de brasileiros que vivem em Portugal.
isso reflete as políticas xenofóbicas e racistas que hoje saem do Parlamento e ganham força nas ruas pic.twitter.com/XNYgAdzP12
— Stefani Costa (@sttefanicosta) August 30, 2025
Em nota, a Polícia Judiciária classificou a conduta como uma “oferta de quantia monetária para que se atentasse, de forma bárbara, contra a vida de cidadãos estrangeiros”, destacando que o episódio “afetou gravemente o sentimento de segurança da comunidade brasileira”, que denunciou o caso em massa às autoridades.

Após a divulgação do vídeo, o Ministério Público recebeu uma queixa-crime formalizada por um grupo de 39 advogados, que apontaram incitação ao homicídio, apologia de crime e discurso de ódio. Segundo a denúncia, as declarações de Oliveira configuram “clara incitação à prática de violência extrema”.
Português e crimes de ódio
O caso ganhou repercussão em meio a um aumento de crimes de ódio em Portugal. Dados da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), divulgados em junho, mostram que as notificações de ataques xenófobos e racistas no país saltaram de 63 em 2019 para 327 em 2024.
O episódio ocorre ainda em meio ao acirramento do debate sobre imigração no país. A proposta de reforma da “Lei dos Estrangeiros” foi recentemente rejeitada pelo Tribunal Constitucional, enquanto partidos de ultradireita, como o Chega, têm intensificado discursos xenófobos. Em uma sessão parlamentar, o líder da sigla, André Ventura, chegou a ler em público uma lista de alunos com nomes de origem árabe e indiana, atitude repudiada pelos demais partidos.



