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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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PF investiga acusação de propina do PCC a Ciro Nogueira

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Denúncia de propina do PCC

Uma testemunha relatou à Polícia Federal que o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, teria recebido uma sacola de papelão com dinheiro vivo enviada por dois chefes do PCC. Os investigados são Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”. A denúncia foi registrada em depoimento e confirmada em entrevista ao ICL Notícias.

Segundo a fonte, o encontro teria ocorrido em agosto de 2024, no gabinete do senador em Brasília. A propina estaria vinculada a pressões sobre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a projetos de lei em discussão no Senado que poderiam beneficiar empresas ligadas ao esquema.

Testemunha detalha entrega de dinheiro

A pessoa ouvida pela PF afirmou ter escutado do próprio Beto Louco que o montante seria entregue ao parlamentar. Ela descreveu a sacola como grampeada, de papelão e compatível com o tamanho de cédulas. O relato reforça suspeitas de que Ciro Nogueira teria atuado politicamente em favor dos acusados.

A identidade da testemunha está sendo mantida em sigilo. O conteúdo do depoimento também foi formalizado em gravação entregue aos investigadores.

Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

Resposta de Ciro Nogueira

O senador negou qualquer vínculo com os acusados. Em ofício enviado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a denúncia como “mentirosa” e afirmou que jamais recebeu os investigados em seu gabinete. Ele disse colocar seus sigilos telefônico, bancário e de gabinete à disposição das autoridades.

Equipes da polícia e da Receita Federal, antes da deflagração da Operação Carbono Oculto

Operação Carbono Oculto

Primo e Beto Louco estão foragidos desde a deflagração da Operação Carbono Oculto, que investiga fraudes bilionárias no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento na Faria Lima. A Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público de São Paulo identificaram empresas como a Copape e a Aster como peças centrais do esquema.

O grupo teria movimentado bilhões de reais com fraudes fiscais e uso de fintechs e fundos para ocultar patrimônio. A investigação aponta também que o esquema se beneficiava de brechas em projetos legislativos que Ciro Nogueira tentou alterar no Senado.

Emendas e atuação no Congresso

O senador apresentou emendas a projetos que tratam da punição de “devedores contumazes”, empresas que deixam de pagar impostos de forma recorrente. As propostas de Nogueira beneficiariam setores ligados ao mercado de combustíveis, justamente onde operam as empresas investigadas. Todas as emendas foram rejeitadas em relatório.

Impacto político da denúncia

Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e figura central do Centrão, Ciro Nogueira mantém forte influência no Congresso. A denúncia de recebimento de propina do PCC coloca o senador sob novo escrutínio político e jurídico, aproximando a investigação do maior grupo criminoso do país dos corredores do poder em Brasília.

Por Leandro Demori, Cesar Calejon e Flávio VM Costa

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