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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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Produção de canetas emagrecedoras afeta distribuição de aplicadores de insulina

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Por Vitor Hugo Batista

(Folhapress) – Unidades de saúde da cidade de São Paulo estão enfrentando desabastecimento de canetas de insulina, tanto descartáveis quanto reutilizáveis, segundo a SMS (Secretaria Municipal de Saúde). Não há falta de insulina, mas sim de aplicadores, que garantem maior precisão e praticidade na administração da medicação em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.

Para suprir a falta de canetas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), a gestão municipal afirma que está fornecendo insulina em frascos de 10 ml.

A principal razão para o desabastecimento, de acordo com o Ministério da Saúde, que fornece as canetas aos estados, é que a indústria farmacêutica passou a “focar em produtos mais rentáveis, como canetas emagrecedoras”, de crescente demanda no mercado, comprometendo a produção das aplicadoras de insulina.

Segundo apurou a reportagem, houve ainda um possível erro no cálculo do ministério no pedido de canetas, que pode ter impactado o estoque nacional. Além disso, o uso incorreto das reutilizáveis como se fossem descartáveis, por parte dos pacientes, aumentou a demanda em um tempo menor do que o previsto para uma nova compra.

No site Reclame Aqui, usuários relataram dificuldades em conseguir os aplicadores devido ao desabastecimento. Um depoimento publicado na segunda-feira (25) aponta que “não há canetas nos postos de saúde já há quatro meses” e que “quem tem diabetes está sofrendo”.

A reportagem tentou contato telefônico com 16 UBSs da capital paulista nesta quarta-feira (27), e apenas três atenderam. Uma unidade disse que não forneceria informações sobre o estoque por telefone, recomendando o deslocamento até o local. Outra pediu para aguardar em linha, mas a ligação caiu e, ao retornar, não foi atendida. Já a terceira orientou consultar a disponibilidade por meio do aplicativo e-saúde, da prefeitura.

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Para suprir a falta de canetas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), a gestão municipal afirma que está fornecendo insulina em frascos de 10 ml (Foto: Agência Brasil)

Situação das canetas

A ferramenta “Remédio na Hora”, da Prefeitura de São Paulo, indica que a disponibilidade de canetas descartáveis no município está baixa. Há 14 unidades do tipo “regular” em cinco UBSs diferentes, enquanto só restam duas do tipo “NPH” em duas unidades distintas. A ferramenta não apresenta as quantidades de canetas reutilizáveis.

A reportagem solicitou um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde sobre a ausência de informações referentes às canetas reutilizáveis na ferramenta “Remédio na Hora”, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Já a baixa quantidade de canetas descartáveis é esperada, uma vez que a distribuição delas foi interrompida em março após a mudança da empresa fornecedora, que fabrica apenas reutilizáveis, segundo o ministério. Quanto a tubetes reutilizáveis e frascos de insulina, há estoque registrado em quantidade elevada.

A distribuição das canetas é realizada pela SES (Secretaria Estadual de Saúde) após o recebimento dos estoques enviados pelo Ministério da Saúde. No entanto, a SES afirma que as canetas “têm sido entregues ao estado em quantidade insuficiente” para suprir a demanda dos municípios.

Em nota, a SES afirmou que em abril de 2025 o estado de São Paulo recebeu cerca de 435 mil canetas reutilizáveis, permitindo atender aproximadamente 50% dos usuários. Em 14 de agosto, um lote parcial de pouco mais de 34 mil foi distribuído, focando nos municípios em situação mais crítica.

“A SES permanece em contato com o órgão federal [Ministério da Saúde], que comunicou o envio de um novo lote de 435.878 canetas reutilizáveis, com o objetivo de contemplar 100% dos pacientes de insulina NPH e Regular no estado, embora ainda não tenha informado a data para o envio”, disse em nota.

Por sua vez, o Ministério da Saúde esclareceu que “não há falta de insulina no Brasil” e que possui contratos assegurando o fornecimento para o ano inteiro de 2025. Segundo o ministério, até agosto já foram distribuídas mais de 2 milhões de canetas reutilizáveis para aplicação de insulina às secretarias estaduais de saúde em todo o país, sendo mais de 500 mil apenas para São Paulo.

O órgão disse ainda que 640 mil canetas estão em processo de distribuição para reforçar os estoques estaduais, incluindo o estado de São Paulo. O ministério afirmou também que um novo pedido para mais reutilizáveis está sendo feito para a atual fabricante, a Global X.

O Ministério da Saúde afirmou que tem investido na produção nacional de insulinas humanas para reduzir a dependência do mercado externo, por meio de parcerias com institutos e empresas brasileiras, e que tem investido em treinamentos virtuais e material educativo para orientar profissionais de saúde e pacientes quanto à utilização correta das canetas reutilizáveis.

Isso porque, até março de 2025, o contrato de fornecimento das canetas estava com a empresa dinamarquesa Novo Nordisk, que fabricava modelos descartáveis, segundo o ministério. No fim de 2024, a empresa havia publicado um comunicado que deixaria de fabricar as de insulina.

O Ministério da Saúde realizou então licitação que resultou na contratação da empresa Global X, que fabrica canetas reutilizáveis que, diferentemente das descartáveis, permitem até 60 doses por tubete (carpule) removível. A mudança pode ter confundido alguns pacientes quanto a aplicação correta e uso contínuo.



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