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Por Cleber Lourenço
O presidente da Comissão Mista de Orçamento, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quinta-feira (21) que a Câmara vai pautar a urgência do projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A medida, de forte apelo popular, é vista por aliados do presidente da República como reflexo de uma mudança no clima político da Casa. Para esses aliados, Motta procura se colocar como protagonista em uma agenda que atinge milhões de brasileiros e, ao mesmo tempo, mostrar que ainda tem força para conduzir temas centrais.
O movimento ocorre dias depois da derrota de Motta na CPMI do INSS. O deputado havia indicado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para a relatoria, mas a função acabou entregue ao deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alinhado ao bolsonarismo. O episódio expôs fragilidades de Motta diante do avanço da oposição radical sobre espaços estratégicos no Congresso e foi interpretado como um sinal de que sua liderança está sendo testada.
Parlamentares próximos avaliam que a perda da relatoria não foi apenas um revés pontual, mas um indicativo de que a articulação de Motta dentro da Câmara enfrenta dificuldades. Ao não conseguir garantir a escolha de Ayres, o deputado viu crescerem questionamentos sobre sua capacidade de sustentar alianças e conter a ofensiva bolsonarista. Esse ambiente criou pressão para que ele reagisse com gestos que transmitam autoridade e liderança.
Revés de Motta na CMPI do INSS acendeu alerta
Paralelamente, na semana passada, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) declarou ao ICL Notícias que a oposição poderia novamente ocupar o plenário da Câmara, desafiando diretamente a autoridade de Motta. Essa fala foi lida como uma provocação explícita, sinalizando que os bolsonaristas não apenas avançam em espaços institucionais, mas também testam a capacidade de resistência do presidente da Comissão de Orçamento em situações de confronto aberto. Motta, diante disso, se vê obrigado a adotar posturas mais assertivas para evitar que sua liderança seja corroída.
A decisão de pautar a urgência da isenção do IR deve ser entendida nesse contexto. Além de ser um tema popular, o movimento projeta a imagem de que Motta não perdeu iniciativa política e ainda pode colocar na agenda do Congresso propostas que impactam diretamente o cotidiano da população. O gesto também cria uma armadilha política para a oposição: rejeitar ou tentar obstruir a medida pode significar desgaste junto ao eleitorado.
Já membros da articulação política do Palácio do Planalto avaliam que Motta tem dado sinais de maior proximidade com o governo. Esse movimento tende a se intensificar à medida que o bolsonarismo se isola e perde espaço dentro da Câmara. Para auxiliares do presidente, essa aproximação abre margem para uma aliança pragmática que fortalece a governabilidade e, ao mesmo tempo, oferece a Motta uma plataforma de sustentação contra os ataques de opositores. A expectativa é de que a disputa em torno de projetos como esse sirva de termômetro para medir até onde irá a relação entre o líder do Republicanos e o Executivo.



