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quinta-feira, 19 fevereiro, 2026
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ADEUS, POETA DO POVO – ICL Notícias

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Teu choro já não toca meu bandolim
Diz que minha voz sufoca teu violão
Afrouxaram-se as cordas e assim desafina
Que pobre das rimas da nossa canção
Hoje somos folha morta
Metais em surdina
Fechada a cortina Vazio o salão

Se os duetos não se encontram mais
E os solos perderam a emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão

Se a gente nota
Que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão

Mas iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar

Se os duetos não se encontram mais
E os solos perderam a emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão

Se a gente nota
Que uma só nota Já nos esgota
O show perde a razão

Mas iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar

Nós iremos até Paris
Arrasar no Olímpia
O show tem que continuar

Olha o povo pedindo bis
Os ingressos vão se esgotar
O show tem que continuar

Todo mundo que hoje diz
Acabou vai se admirar
Nosso amor vai continuar

Na letra da música composta em parceria com Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz diz que “o show tem que continuar”. Mas os admiradores das composições desse craque do samba sabem que a arte popular brasileira ficou mais pobre a partir de hoje.

Aos 66 anos, Arlindo Cruz, brilhante compositor, cantor e multi-instrumentista morreu nesta sexta-feira (8),  no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por sua esposa, Babi Cruz.

Arlindo estava afastado dos palcos desde 2017, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, em casa. Desde então, enfrentava graves sequelas e passou por diversas internações ao longo dos anos.

Mais informações sobre o velório e o sepultamento ainda serão divulgadas pela família.

Arlindo Cruz

Nascido em 14 de setembro de 1958, no Rio de Janeiro, Arlindo Domingos da Cruz Filho construiu uma das trajetórias mais respeitadas da música brasileira.

Além de compositor e cantor, era conhecido pelo domínio de instrumentos como o cavaquinho, o banjo e o violão — habilidades que desenvolveu ainda na infância. Ganhou o primeiro cavaquinho aos sete anos e, aos 12, já tocava de ouvido, aprendendo também violão com o irmão, Acyr Marques.

Trajetória de Arlindo Cruz

Durante a juventude, estudou teoria musical e violão clássico na escola Flor do Méier. Nessa fase, começou a atuar como músico profissional em rodas de samba, sendo apadrinhado por Candeia, um dos grandes nomes do gênero.

Foi com o apoio de Candeia que Arlindo fez suas primeiras gravações em estúdio, incluindo o álbum “Roda de Samba”, posteriormente relançado em CD.

Ao longo da carreira, Arlindo Cruz acumulou uma obra extensa e influente, marcada por composições que se tornaram clássicos do samba, além de colaborações com nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Sombrinha — com quem integrou o grupo Fundo de Quintal.

O artista deixa um legado essencial para o samba brasileiro e uma legião de admiradores.

É preciso lembrar o final da música que serve de epígrafe a esta matéria:

“Todo mundo que hoje diz ‘acabou’ vai se admirar. Nosso amor vai continuar”



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