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segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
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Alcolumbre se irrita com oposição e anistia ou impeachment se tornam ‘definitivamente descartados’

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Por Cleber Lourenço

A reunião de lideranças partidárias no Senado Federal, nesta quarta-feira (6), foi marcada por um clima de ruptura institucional e forte tensão política. Logo no início do encontro, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou visível irritação com a conduta da bancada bolsonarista, que desde o início da semana ocupa fisicamente as mesas diretoras e auditórios do Congresso Nacional.

A insatisfação de Alcolumbre não se restringiu ao simbolismo da ocupação: ele teria expressado a colegas que considera o gesto como uma afronta à autoridade da presidência do Senado e um ataque direto ao funcionamento do Legislativo.

Nos bastidores, senadores presentes relataram que a postura do presidente da Casa foi mais contundente do que o habitual, com tom duro e cobranças sobre os impactos da paralisia provocada pela mobilização da extrema direita. Um dos principais efeitos diretos da crise é o bloqueio da pauta legislativa, inclusive de projetos considerados essenciais para o governo e para a população, como a manutenção da faixa de isenção do Imposto de Renda e as nomeações de diretores de agências reguladoras.

A leitura entre os líderes partidários é quase unânime: a ofensiva bolsonarista não apenas fracassou em gerar pressão institucional, como também acabou isolando ainda mais a oposição. “Se antes havia alguma chance, mesmo que remota, de anistia ou de pautar o impeachment de Alexandre de Moraes, agora isso está definitivamente descartado”, afirmou um senador, em caráter reservado. Segundo ele, o movimento foi interpretado como tentativa de coagir a Mesa Diretora do Senado por meio da desordem.

Alcolumbre

Na noite anterior, um outro senador já havia alertado, em conversa reservada, que a oposição estava cometendo um erro grave ao tentar “colocar Davi Alcolumbre e Hugo Motta de joelhos”. A expressão circulou entre parlamentares durante a madrugada e foi relembrada na reunião como exemplo do grau de tensão política gerado pelas ações da bancada do PL. Na avaliação de lideranças do centrão, a estratégia foi “desastrosa, mal calculada e contraproducente”.

A nota oficial divulgada por Alcolumbre na terça-feira (5) reforçou o incômodo do presidente do Senado. No texto, ele classificou a ocupação como “um exercício arbitrário das próprias razões” e destacou que se trata de um ato “inusitado e alheio aos princípios democráticos que norteiam as duas Casas do Parlamento brasileiro”. A nota foi interpretada por interlocutores do presidente como um recado direto aos parlamentares que, ao apostarem na conflagração, colocaram em xeque a possibilidade de qualquer negociação futura.

Posição de Alcolumbre

Senadores ouvidos pela coluna avaliam que a continuidade da ocupação deve apenas agravar o desgaste da oposição. A cada dia de paralisação, aumenta o isolamento do grupo bolsonarista e diminui sua capacidade de influenciar a agenda da Casa. A tentativa de confrontar diretamente a presidência do Senado acabou, segundo esses parlamentares, por comprometer qualquer possibilidade de avanço das pautas defendidas pela extrema direita. “Eles queimaram pontes que nem sequer estavam construídas”, resumiu uma fonte no MDB.

Ao final da reunião, prevaleceu o entendimento de que não haverá retomada das negociações enquanto durar a ocupação dos plenários. O gesto de enfrentamento, que alguns na oposição acreditavam que produziria impacto, hoje é visto por muitos senadores como um erro estratégico que fortaleceu a unidade entre os demais blocos e deu a Alcolumbre respaldo político para endurecer ainda mais sua posição.



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