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A dois dias de começarem a valer as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos importados pelos EUA do Brasil, o economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira, avalia que “o Brasil pode sair mais forte dessa travessia” no jogo geopolítico que está se redesenhando.
Durante participação no ICL Notícias 1ª edição nesta segunda-feira (4), Moreira contextualizou o tema, explicou os efeitos econômicos práticos das medidas e destacou o papel do Brasil em meio à reorganização geopolítica e comercial global.
Para ele, o aumento das tarifas por parte do governo Trump tem múltiplas camadas. Além das disputas comerciais, há forte componente político:
“O Trump está passando por um momento horroroso. A questão Epstein [caso de abuso sexual de menores que envolve o financista Jeffrey Edward Epstein e a ligação de Trump com ele] voltou aos holofotes e ele tem a pior aprovação de um presidente nos primeiros cem dias em muito tempo. Ele precisa desviar o foco.”
A ofensiva contra o Brasil, portanto, seria também uma jogada para repercutir internamente, especialmente junto à base conservadora que apoia políticas nacionalistas e protecionistas.
Impacto prático do tarifaço de Trump
Apesar da repercussão alarmista inicial, Moreira afirma que os números precisam ser observados com calma:
“A tarifa média ponderada sobre produtos brasileiros era de cerca de 15%. Após o tarifaço, a média subiu para 27%. Mais de 40% do volume exportado aos EUA ficou isento da alíquota máxima [de 50%] após negociação — incluindo petróleo, minério de ferro, laranja e Embraer”, explica Moreira.
“Não foi do zero para 50%. Subimos de 15% para 27%. É péssimo, claro, mas tem muita coisa em negociação ainda”, pontua.
Quais setores foram mais afetados?
Segundo o economista, há três grupos distintos após a imposição tarifária:
- Isentos da tarifa de 50%, mantendo alíquota de 10% (ex: petróleo, Embraer, laranja);
- Produtos com tarifas setoriais entre 20% e 25%; e
- Produtos penalizados com os 50% de tarifa.
Alguns setores específicos, segundo ele, podem sofrer muito mais do que os números gerais sugerem.
Porém, ele destaca que os Estados Unidos, embora estratégicos, não são o maior parceiro comercial do Brasil — posição ocupada pela China. Isso reduz o potencial de danos sistêmicos à balança comercial.
Além disso, Moreira observa que a situação abre espaço para ampliar parcerias e diversificar mercados: “A China aprovou mais de cem marcas brasileiras de café para importação. Estamos vendo pontes sendo construídas.”
Efeitos no PIB e no consumo
O impacto no PIB (Produto Interno Bruto) deve ser limitado, segundo o economista, que prevê queda entre 0,1 e 0,2 ponto percentual no PIB.
Além disso, produtos com apelo direto ao consumidor norte-americano, como o café, devem pressionar o governo dos EUA por alívio tarifário. “O americano sente o café no bolso todo dia, assim como a gente sentiu o azeite. Isso vira questão política”, lembra.
Brasil como protagonista e o “soft power”
Moreira vê um lado positivo na forma como o Brasil tem se posicionado nas negociações. “O Brasil virou referência para outros países. Está jogando bem esse jogo de negociação e defesa da soberania. Isso gera soft power.”
Ele acredita que o país pode sair fortalecido da crise — com maior independência dos EUA, novos parceiros comerciais e até ganhos no mercado interno.
Tabuleiro está em movimento
Com a possibilidade de novos acordos, especialmente envolvendo itens como café e frutas, a situação segue aberta. “Não é exagero dizer que o jogo comercial do mundo está sendo reorganizado. A pergunta é: como o Brasil vai atravessar esse rio? Pode ser que o Brasil saia mais forte dessa travessia do que entrou e, mais importante do que tudo, menos depende dos EUA.”
Veja a análise de Eduardo Moreira no vídeo abaixo:



