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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Um marco histórico para a saúde dos trabalhadores

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Por Luna Vargas*

 

Foi inaugurado em São Bernardo do Campo nesta quinta-feira (31) o primeiro Espaço de Cannabis para atender os trabalhadores e a população do ABC em São Paulo. A nova sede da Associação Terapêutica Cannabis Medicinal Flor da Vida, localizada atrás da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC torna-se hoje um marco histórico por unir a força do trabalho das associações de pacientes de cannabis e a potência da união dos trabalhadores.

O resultado dessa parceria pode se tornar o maior programa sistemático de acesso popular à cannabis do mundo, apontando um caminho inovador não apenas para o Brasil, mas também como modelo para outros países. A conexão entre sindicato e associação civil organizada representa uma alternativa popular diante das opções disponíveis atualmente: produtos farmacêuticos e importados autorizados pela RDC 660 da Anvisa (em grande parte vindos dos EUA e da União Europeia), que atendem apenas uma pequena parcela da população brasileira, com acesso limitado à informação e capacidade de arcar com os altos custos do tratamento.

O sindicato reúne cerca de 50 mil metalúrgicos e metalúrgicas, número que pode triplicar ao se considerar os familiares dos sindicalizados. O uso terapêutico da cannabis pode beneficiar pessoas com condições que afetam especialmente trabalhadores precarizados, que sofrem comumente de insônia, depressão, ansiedade e dores crônicas. Além disso, há grande eficácia em doenças específicas como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Alzheimer, Parkinson, epilepsia, fibromialgia e enxaqueca. Para os associados e suas famílias, a Associação Flor da Vida oferecerá tratamento a preço social, tornando o acesso mais viável para toda a classe trabalhadora.

Acesso justo e igualitário

Andréa Sousa, diretora executiva do Sindicato e responsável pelas Comissões de Cidadania, fez um discurso emocionante, destacando o trabalho da comissão de PCD (Pessoas com Deficiência) e ressaltando a importância da iniciativa para garantir o acesso a tratamentos com cannabis de forma justa e igualitária.

Na inauguração da nova sede da Flor da Vida, Enor Machado, presidente da associação de pacientes, destacou a importância do terceiro setor diante da falta de regulamentação nacional e reforçou que o trabalho das associações é essencial, devendo ser reconhecido como parte das futuras políticas públicas. Ele enfatizou que o uso da planta gera impactos reais na vida das pessoas e que o “efeito colateral” mais importante do remédio é a felicidade.

Tendo em vista a regulamentação imposta pelo STJ que entra em vigor em setembro, Enor fez uma fala importante sobre o cultivo no Brasil como forma de reparação histórica. O cultivo associativo e de agricultura familiar disputa o campo da cannabis com os interesses do agronegócio voltados à produção de insumos para a indústria farmacêutica.

 

Potencial terapêutico

O potencial terapêutico da cannabis é amplamente comprovado por estudos científicos, mostrando controle de sintomas resistentes a tratamentos convencionais e impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Testemunhos emocionantes reforçam sua eficácia. O ex-senador Eduardo Suplicy, paciente da Flor da Vida, compartilhou:

“O THC, a cannabis medicinal, está me fazendo um bem danado. Estou muito melhor de saúde. Passei um ano dificílimo e quase fui embora, mas agora estou de novo numa boa.”

Vale destacar a atuação de Eduardo Suplicy, atualmente deputado estadual, que mantém a política de drogas como uma de suas principais pautas com propostas de vanguarda. Aos 84 anos, ele se destaca pela articulação política em torno do tema, com uma disposição rara entre parlamentares brasileiros.

O deputado estadual Barba também relatou sua experiência pessoal:

“Minha filha mais velha faz uso do canabidiol. Nós aprovamos na Assembleia Legislativa um projeto que garante o fornecimento dele no SUS. Minha filha, que tem um problema sério, estava usando um remédio americano que custa R$ 70 mil. Depois que iniciamos o tratamento com canabidiol, ela tem melhorado bastante.”

‘Remédio democrático’

A sede da Flor da Vida no ABC recebeu o nome de Kauã, um jovem paciente cuja luta dos pais impulsionou a parceria entre sindicato e associação, demonstrando a força do movimento de pacientes pelo acesso à cannabis medicinal no Brasil.

A Associação Flor da Vida já é responsável pela produção e fornecimento de medicamentos à base de canabidiol para a clínica pública de cannabis medicinal em Ribeirão Pires, a primeira desse tipo no Brasil. A entidade prioriza o atendimento gratuito a pessoas de baixa renda e mantém um dos maiores cultivos legais do país.

A associação pretende expandir ainda mais seu alcance, buscando parceria com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) para levar o “remédio democrático” a todos os trabalhadores de São Paulo. O modelo de acolhimento da Flor da Vida inclui acompanhamento especializado, crucial para enfrentar preconceitos e garantir uma adaptação adequada à medicação, resultando em mais qualidade de vida para as famílias.

A inauguração deste espaço é um marco histórico global. Mesmo em países legalizados como Uruguai, Canadá, Portugal e outros da União Europeia, o uso medicinal da cannabis não se popularizou por causa de modelos de acesso falhos. A associação inaugurada com o sindicato é um exemplo potente para o mundo e para o futuro das políticas públicas relacionadas à planta. Que essa semente plantada na cena histórica mais importante para os trabalhadores do Brasil inspire outros sindicatos e que estes entendam a importância de promover o acesso à cannabis como uma política de bem-estar para suas categorias. Saúde e qualidade de vida para os trabalhadores do Brasil!

 

*Educadora, antropóloga, palestrante e fundadora da Inflore, primeira empresa de formação e treinamento para o mercado canábico



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