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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Resex Rio Gregório recebe ações para erradicar pobreza extrema e promover cidadania na Amazônia

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Duzentas e trinta famílias que vivem em uma das regiões mais remotas da Amazônia estão tendo suas vidas transformadas por uma iniciativa que busca enfrentar a pobreza extrema e a exclusão social. Trata-se do projeto “Erradicação da Extrema Pobreza na Amazônia – Acompanhamento Familiar Multidimensional da RESEX Rio Gregório”, desenvolvido pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com o Fundo Vale. A ação beneficia diretamente moradores de 27 comunidades da Reserva Extrativista (Resex) Rio Gregório, localizada entre os municípios de Eirunepé e Ipixuna, a mais de mil quilômetros de Manaus.

A região enfrenta uma realidade de abandono do Estado e carência crônica de serviços essenciais como saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura e acesso à informação. Esse cenário agrava os índices de vulnerabilidade e alimenta ciclos históricos de pobreza e exclusão.

Desde 2023, o projeto vem articulando diversas ações para oferecer dignidade e melhorar a qualidade de vida da população local. Entre as principais atividades já realizadas estão a emissão de documentos, atualização do Cadastro Único (CadÚnico), vacinação de crianças e adultos, instalação de internet e iluminação comunitária, além da implementação de sistemas de captação e armazenamento de água potável.

Segundo Silvio Rocha, coordenador do projeto, a iniciativa tem como foco central a erradicação da extrema pobreza por meio de ações estruturantes e integradas. “Este é o primeiro passo, e fazemos isso por meio de ações estruturantes e multidimensionais”, afirmou.

Rocha explica que o combate à pobreza na região não se limita ao aumento da renda das famílias, mas busca uma transformação mais profunda, que envolva mudança no modo de vida. “Entendemos que o processo vai além do aumento de renda. Inclui também uma mudança profunda no modo de vida dessas populações. Por isso, nossa atuação é integrada e voltada às múltiplas dimensões da vulnerabilidade”, completou.

Missões de cidadania e fortalecimento comunitário

Entre os serviços prestados estão mutirões de cidadania, que incluem emissão de RG, CPF, certidões e título de eleitor. A equipe também leva vacinas, realiza exames médicos e promove rodas de conversa com foco em saúde preventiva. Para muitos moradores, trata-se da primeira vez que recebem esse tipo de atendimento.

A instalação de sistemas de captação de água potável também tem tido um impacto direto na saúde pública das comunidades, diminuindo casos de doenças causadas por água contaminada. Além disso, oficinas de liderança comunitária e empoderamento vêm preparando moradores para assumirem papéis de protagonismo local.

Monitoramento socioambiental e geração de dados

Outra frente de atuação do projeto é o monitoramento participativo da pobreza multidimensional e do contexto socioambiental da Resex. Técnicos da FAS visitam periodicamente as comunidades para coletar dados diretamente com os moradores, em especial sobre violações de direitos. Até o momento, mais de 165 questionários foram aplicados.

Esses dados orientam as estratégias do projeto e ajudam a identificar lacunas e novas oportunidades de intervenção. Como resultado das oficinas de monitoramento promovidas, seis profissionais locais foram contratados. Eles agora atuam no apoio à produção agrícola, conservação da biodiversidade e no combate ao desmatamento e às queimadas.

A juventude como agente de transformação

A dimensão cultural e o engajamento da juventude também ganharam espaço. Jovens e adolescentes participaram do projeto “Diz Aí”, uma iniciativa do Canal Futura e da Fundação Roberto Marinho, com apoio da Vale. A proposta foi dar voz aos jovens por meio do audiovisual, permitindo que eles próprios registrassem as transformações ocorridas em suas comunidades.

Os curtas produzidos pelos jovens abordam o tema “Enfrentamento da Pobreza Extrema” e foram exibidos nas próprias comunidades e incluídos na grade de programação do Canal Futura. Para Rocha, essa mobilização vai além do simples registro: “Quando os próprios moradores passam a contar suas histórias, mostramos que a transformação vai além dos números: ela se traduz em pertencimento, empoderamento e autonomia”, declarou.

Uma rede de apoio integrada

Além da FAS e do Fundo Vale, o projeto conta com o apoio técnico das prefeituras de Eirunepé e Ipixuna, da Associação de Moradores Agroextrativistas do Rio Gregório (AMARGE) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA).

O envolvimento de diferentes instituições públicas e da sociedade civil é visto como essencial para garantir a continuidade das ações e promover políticas públicas que atendam, de forma sustentável, às necessidades da região.

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