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O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, fez um alerta direto nesta terça-feira (15) a países do Brics, em especial para o Brasil, China e Índia: se continuarem mantendo relações comerciais com a Rússia, poderão enfrentar sanções secundárias nos próximos 50 dias. A declaração foi feita durante reunião no Congresso dos Estados Unidos, em um contexto de escalada diplomática promovida pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Na segunda-feira (14), o presidente dos Estados Unidos deu à Rússia 50 dias para encerrar a guerra na Ucrânia ou enfrentar novas sanções, e anunciou o envio iminente de uma grande quantidade de armas a Kiev através da Otan.
Segundo Rutte, a medida em retaliação aos países do Brics busca aumentar a pressão global sobre Moscou para que aceite negociar um acordo de paz na Ucrânia. “Você pode querer dar uma olhada nisso, porque pode te atingir muito forte”, disse ele, dirigindo-se aos três países que, junto à Rússia e à África do Sul, integram o grupo Brics.
As sanções secundárias são penalidades aplicadas a terceiros que mantêm relações econômicas com um país alvo de sanções principais — no caso, a Rússia. Com isso, mesmo países fora do conflito podem ser atingidos caso suas transações sejam interpretadas como apoio econômico indireto a Moscou.
Pressão coordenada entre Otan e EUA
O pronunciamento de Rutte ocorre apenas um dia depois de Donald Trump anunciar novas tarifas comerciais e o envio de armamentos à Ucrânia, incluindo sistemas antimísseis Patriot. O republicano também ameaçou aplicar tarifas de até 100% sobre produtos russos exportados para países que, segundo ele, não estiverem “ajudando a garantir a paz”.
O presidente dos Estados Unidos tem adotado uma linha cada vez mais dura contra os Brics, bloco que reúne as principais economias emergentes e que, segundo ele, representa uma ameaça à hegemonia do dólar.
No início de julho, Trump afirmou que qualquer país que fizer parte do Brics será automaticamente submetido a tarifa de 10%, acusando seus membros de “tentar substituir o dólar como moeda padrão global”.
No passado recente, Trump já havia ameaçado taxar em 100% os países que apoiassem a criação de uma moeda alternativa ao dólar — pauta discutida dentro do próprio Brics.
Alvo
A cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro neste mês, com participação de líderes como Narendra Modi (Índia), Li Qiang (China) e o presidente Lula (Brasil), reforçou o compromisso com uma maior integração econômica e comercial entre os países-membros. Um dos objetivos do encontro foi exatamente se posicionar frente ao avanço protecionista dos EUA.
No entanto, o novo posicionamento da Otan adiciona um grau extra de risco para os países do bloco. O Brasil, por exemplo, tem mantido relações comerciais com a Rússia — especialmente no setor de fertilizantes — desde o início da guerra na Ucrânia. Agora, pode se ver forçado a rever sua postura diante da ameaça de sanções secundárias.
Isolamento econômico
Especialistas avaliam que o alerta da Otan é parte de uma estratégia coordenada para isolar a Rússia no cenário internacional, ampliando o custo econômico da guerra.
Apesar das sanções ocidentais, o comércio entre EUA e Rússia ainda movimentou US$ 3,5 bilhões em 2024, com destaque para fertilizantes, metais e combustível nuclear. Isso evidencia o grau de complexidade e interdependência que ainda rege a economia global — mesmo em tempos de guerra.
Resta saber como países como o Brasil responderão à pressão ocidental, especialmente diante de seus compromissos diplomáticos com os demais membros do Brics e da necessidade de garantir acesso a insumos estratégicos.



