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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Gigante dos EUA e Amcham pedem negociação

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A maior entidade empresarial dos Estados Unidos, a US Chamber of Commerce, divulgou nesta terça-feira (15) um alerta público contra os impactos econômicos que podem recair sobre o próprio mercado norte-americano, caso avance a proposta do presidente Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

A nota, assinada em conjunto com a Amcham Brasil — a maior câmara americana de comércio fora dos EUA —, defende uma solução negociada e urgente entre os dois governos para evitar danos bilaterais.

“Mais de 6.500 pequenos negócios nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas americanas investem no país”, afirma o comunicado. “O Brasil é um dos dez principais mercados para as exportações dos Estados Unidos e o destino para aproximadamente US$ 60 bilhões em bens e serviços americanos todos os anos.”

A nota foi distribuída à imprensa norte-americana em meio à escalada da crise comercial entre os dois países, após Trump anunciar, na última semana, um tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. A medida, segundo o próprio presidente dos EUA disse em carta enviada ao governo brasileiro, estaria vinculada à forma como o Brasil tem conduzido o processo judicial contra Jair Bolsonaro (PL), o que gerou forte reação do governo Lula.

Entidades consideram tarifaço de Trump é “erro estratégico”

A US Chamber e a Amcham Brasil consideram a proposta de tarifas um erro estratégico, que ameaça não apenas os interesses econômicos do Brasil, mas também os próprios fundamentos da economia americana.

“A imposição de tais medidas, em resposta a tensões políticas mais amplas, corre o risco de causar danos reais a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos e estabelece um precedente preocupante”, alertam as entidades.

“A tarifa de 50% proposta impactaria produtos essenciais para as cadeias de suprimentos e os consumidores dos Estados Unidos, aumentando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade das principais indústrias americanas.”

Defesa da diplomacia

As entidades empresariais pedem que o momento seja usado como oportunidade para uma reaproximação diplomática. Elas defendem negociações de alto nível entre os governos americano e brasileiro para reverter a escalada de tensões e encontrar saídas “pragmáticas e construtivas”.

Em entrevista à CNN na segunda-feira (14), o CEO da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que ainda há margem para negociação. Segundo ele, retaliações por parte do Brasil — embora previstas pela recém-regulamentada Lei da Reciprocidade Econômica — devem ser encaradas como “último recurso”.

“Temos uma relação econômica sólida, construída ao longo de décadas. O momento exige diálogo e bom senso, não ações unilaterais que punem empresas e consumidores dos dois lados”, afirmou Neto.
O apelo da US Chamber of Commerce representa um movimento pouco comum — a principal entidade empresarial americana costuma evitar manifestações públicas sobre decisões presidenciais. Neste caso, porém, a preocupação com os impactos diretos da tarifa sobre setores estratégicos da economia americana parece ter falado mais alto.

Veja abaixo a íntegra da nota:

A Câmara dos EUA e a AmCham Brasil instam os governos dos Estados Unidos e do Brasil a se engajarem em negociações de alto nível para evitar a implementação de tarifas prejudiciais. Impor tais medidas em resposta a tensões políticas mais amplas corre o risco de causar danos reais a um dos relacionamentos econômicos mais importantes dos Estados Unidos e estabelece um precedente preocupante. A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais para as cadeias de suprimentos e consumidores dos EUA, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores-chave da indústria americana.

Mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas americanas investem no país. O Brasil está entre os 10 principais mercados para exportações dos EUA e é destino de quase 60 bilhões de dólares em bens e serviços americanos a cada ano.
Um relacionamento comercial estável e produtivo entre as duas maiores economias do Hemisfério beneficia os consumidores, sustenta empregos e promove a prosperidade mútua. A Câmara dos EUA e a AmCham Brasil estão prontas para apoiar esforços que conduzam a uma solução negociada, pragmática e construtiva — uma que evite a escalada e assegure a continuidade de um comércio mutuamente benéfico.



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