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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta terça-feira (9) ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Em uma publicação nas redes sociais, Lula afirmou que qualquer medida unilateral será respondida “à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.
A reação veio após Trump divulgar uma carta pública em suas redes, na qual atribui a decisão tarifária à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe. Segundo o líder norte-americano, o Brasil estaria promovendo “ataques insidiosos contra as eleições livres e a liberdade de expressão dos americanos”, e defendeu que as acusações contra Bolsonaro sejam retiradas.
Lula, por sua vez, rebateu. “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, afirmou. Ele destacou que o julgamento de envolvidos na tentativa de golpe é de responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira e não está sujeito a interferências externas.
Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte-americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta-quarta (9), é importante ressaltar:
O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.
O processo…
— Lula (@LulaOficial) July 9, 2025
A Lei de Reciprocidade Econômica, citada pelo presidente, permite ao governo adotar contramedidas, como restrições a importações ou suspensão de obrigações comerciais e de propriedade intelectual, em resposta a ações econômicas unilaterais que prejudiquem o país. Segundo a legislação, as medidas devem ser proporcionais ao impacto causado.

Além de rechaçar a tentativa de ingerência, Lula contestou a alegação de déficit comercial dos EUA com o Brasil. “As estatísticas do próprio governo norte-americano comprovam um superávit de 410 bilhões de dólares no comércio bilateral de bens e serviços nos últimos 15 anos”, afirmou.
Em sua declaração, o presidente brasileiro também defendeu o marco regulatório das redes sociais no país. “A sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, fraudes e ataques à democracia. Liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas”, disse.
Lula x Trump
A decisão de Trump representa uma escalada nas tensões comerciais. Inicialmente, o Brasil enfrentaria uma tarifa de 10%, conforme plano anunciado em abril. A nova alíquota é a mais alta entre as anunciadas pelo presidente dos EUA nesta semana, que também ameaçou medidas contra países do BRICS, bloco liderado por Lula em sua atual presidência.
Durante a cúpula do grupo no Rio de Janeiro, os líderes criticaram políticas protecionistas e intervenções militares recentes, em posições que colidem com a agenda de Trump, embora tenham evitado menções diretas aos EUA.
Lula encerrou sua nota reafirmando o compromisso do Brasil com a soberania e o respeito nas relações internacionais. “A defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro é o que orienta nossa relação com o mundo”, concluiu.



