Mostra gratuita reúne obras de 14 artistas e propõe reflexão sobre ancestralidade, meio ambiente e força coletiva
O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, recebe a partir do dia 18 de julho a exposição Tromba d’Água, que reúne 27 obras de 14 artistas mulheres da América Latina. A mostra, organizada pelo Instituto Artistas Latinas em comemoração aos seus seis anos de atuação, integra a programação da Ocupação Esquenta COP e poderá ser visitada gratuitamente até 4 de novembro.
Com curadoria de Ana Carla Soler, Carolina Rodrigues e Francela Carrera, a exposição apresenta uma diversidade de linguagens como pinturas, esculturas, fotografias e videoarte, destacando memórias, saberes e espiritualidades a partir de experiências vividas por mulheres latino-americanas. O título da mostra remete ao fenômeno natural das trombas d’água, uma metáfora para a força coletiva feminina que emerge de forma intensa e imprevisível, rompendo silêncios e estruturas opressoras.
Artistas de diferentes origens e trajetórias
Entre as artistas participantes estão nomes do Brasil, da Argentina e da Guatemala: Alice Yura, Azizi Cypriano, Guilhermina Augusti, Jeane Terra, Luna Bastos, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Rafaela Kennedy, Roberta Holiday, Rosana Paulino, Suzana Queiroga, Thais Iroko, Marilyn Boror Bor (Guatemala) e Natália Forcada (Argentina). A pluralidade de suas origens, etnias, orientações sexuais e idades se reflete nas obras e discursos presentes na mostra.
Um dos destaques é a pintura O sonho da América Latina, de Marcela Cantuária. Com 5 metros de largura por 3 de altura, a obra monumental propõe uma visão crítica e poética do continente a partir da resistência e dos sonhos das mulheres latino-americanas.
Natureza e espiritualidade como linguagem visual
As curadoras explicam que o conceito da mostra está ligado ao poder simbólico das águas, que funcionam como elemento central das reflexões propostas. “Na exposição, as características das águas criam espaço para trilharmos outros percursos na construção de uma sociedade pautada em relações sensíveis entre a humanidade e a natureza”, afirmam as curadoras em texto coletivo.
A força espiritual e ancestral do feminino se apresenta como eixo das obras, revelando um compromisso das artistas com temas que ultrapassam o estético e tocam o político, o simbólico e o comunitário. “Tromba d’Água” propõe, portanto, um mergulho profundo nas subjetividades femininas e suas conexões com o território, a memória e o meio ambiente.
Espaço de educação e intercâmbio cultural
Além da exposição, o Instituto Artistas Latinas promove ações educativas durante o período expositivo, com atividades voltadas à mediação cultural e ao diálogo com a comunidade. Segundo Paulo Farias, presidente do Instituto, a escolha de julho para a inauguração tem um significado especial.
“É uma feliz coincidência apresentar essa exposição em julho, mês tão simbólico para nós e que marca nossos seis anos de atuação. Colaborando para uma visão mais horizontal do sistema de arte, essa exposição também cumpre um papel de intercâmbio cultural, visto que são apresentadas obras de artistas de outros países e de diferentes regiões do Brasil”, afirma.
O Instituto, criado em 2019, é uma referência na valorização da produção artística de mulheres latino-americanas. Com sede no Rio de Janeiro, mantém uma plataforma digital que cataloga e divulga o trabalho de artistas de toda a região. Atua ainda na realização de exposições, ações educativas e consultorias para coleções públicas e privadas.
Museu do Amanhã como cenário para a arte do futuro
Com uma proposta voltada para a construção de futuros possíveis e sustentáveis, o Museu do Amanhã é o cenário ideal para receber Tromba d’Água. A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e conta com o apoio de uma ampla rede de patrocinadores e mantenedores.
O museu, que desde sua inauguração se dedica a temas como meio ambiente, ciência, inovação e humanidade, amplia com esta mostra sua conexão com a arte contemporânea produzida por mulheres da América Latina, reforçando a importância da diversidade e da inclusão na cultura e na ciência.
Serviço
Exposição: Tromba d’Água
Curadoria: Ana Carla Soler, Carolina Rodrigues e Francela Carrera
Artistas participantes: Alice Yura, Azizi Cypriano, Guilhermina Augusti, Jeane Terra, Luna Bastos, Marcela Cantuária, Mariana Rocha, Rafaela Kennedy, Roberta Holiday, Rosana Paulino, Suzana Queiroga, Thais Iroko, Marilyn Boror Bor (Guatemala), Natália Forcada (Argentina)
Local: Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1 – Centro – Rio de Janeiro
Período: 18 de julho a 4 de novembro de 2025
Horário: De quinta a terça-feira, das 10h às 18h
Entrada: Gratuita (somente para a mostra)



